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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Valleys of Neptune.


Muita curiosidade e o caso não era para menos. Valleys of Neptune, contendo uma dose considerável de inéditos e de novas versões não editadas de Jimi Hendrix de 1969, tinha data marcada nos escaparates para 2010, o que desde logo fazia dele um dos álbuns mais aguardados do ano.
Muitos poderão dizer que é mais do mesmo, que Valleys não acrescenta nada de novo à típica sonoridade Hendrix. Da minha parte, pergunto que mal isso tem. O maior prazer retirado de Valleys é precisamente o de constatar vezes sem conta e repetidamente o génio de Hendrix, o seu talento inacreditável, como se a guitarra fosse uma extensão natural do seu corpo. Não pode haver qualquer tipo de desilusão ou desprazer em (re)descobrir uma vez mais o seu incomensurável talento, o seu génio puro, alguém que fez com a guitarra o mesmo que Picasso fez com o pincel, ou Shakespeare com as palavras. Falamos de artistas únicos, cujo dom se confunde ao longo dos tempos com a arte que dominam.
Hendrix é dos poucos predestinados do firmamento artístico que nos fazem acreditar nas possibilidades infinitas da música enquanto processo criativo em evolução, e em constante reinvenção. Valleys é mais uma prova indesmentível disso mesmo. Imperdível.
Em baixo, Bleeding Heart:

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

On the Beach (1974).


On the Beach, quinto álbum a solo de Neil Young, é ponto de referência na carreira do canadiano. Apesar da influência em grupos de grunge dos anos 90, On the Beach está longe de ser um álbum de desespero. Muito pelo contrário. On the Beach é um álbum de emancipação e transbordante de uma rejuvenescida confiança. A par de Harvest e do esmagador After the Gold Rush, é a grande obra do mestre. Embora menos popular do que estes dois, On the Beach encerra em si uma terrível ambiguidade, sendo que é preciso escutá-lo algumas vezes para nos apercebermos da total genialidade de Young, e da maneira com agarra no folk-rock e faz dele um género que podia levar com o seu nome.
Destaque evidente para For the Turnstiles, porque o mais genuíno, talvez o expoente máximo do registo. Mas é impossível escrever sobre On the Beach sem referir a enigmática Vampire Blues, bem como a canção homónima On the Beach, deslumbrante pela profunda mas alternada melancolia, mais em jeito de libertação do que de comiseração. Por fim, cabe a Ambulance Blues resumir o verdadeiro sentimento por detrás da obra: um lamento esperançado na mudança de hábitos de uma sociedade hipnotizada pelo superficial, abandonada ao poder dos poderosos e aos desvarios colectivos.
On the Beach é uma obra-prima, tardiamente reconhecida mas nem por isso menos divinal, tanto na música como no que a inspira. Speechless.

domingo, 25 de outubro de 2009

Who Else But Jack White??


Muitos foram os discos que marcaram os anos 00. A década foi pródiga no aparecimento de novas bandas e intérpretes, e foi também a da afirmação definitiva de outras que já vinham de trás. Arctic Monkeys, The Strokes, Arcade Fire, Franz Ferdinand ou Fleet Foxes partilharam a década com nomes de créditos já firmados como Bruce Springsteen, Rolling Stones, Bob Dylan, Neil Young, Beck - para citar, como é óbvio, apenas alguns. Foi uma década particularmente produtiva em termos musicais, um desfile de qualidade e quantidade assinaláveis, renovação q.b., e muitas (agradáveis) novidades e projectos novos.
Não é fácil, pois, destacar que banda ou que artista em particular merece levar para casa o galardão de "melhor da década". Este tipo de escolhas são sempre relativas, embora vá sendo possível chegar a um consenso mínimo quanto a um grupo muito restrito de potenciais candidatos. No entanto, a britânica Uncut chegou-se à frente e, na sua edição de Novembro, arrisca o nome de quem no seu entender é o "melhor da década". Pomposamente, a resposta sai pronta e sem ambiguidades: o homem da década musical é Jack White, a mente genial por detrás dos The White Stripes e, mais recentemente, dos The Racounteurs e dos The Dead Weather.
Nenhum outro músico marcou mais a década. Não há álbum em que White esteja metido que não figure em tudo quanto é tabela dos melhores. Ninguém como ele conseguiu dar à luz tanto clássico instantâneo como ele nos últimos tempos, fruto de uma devoção cega ao blues, tão bem transportado para o poeirento rock de garagem de Detroit. White é o último símbolo da pureza do rock, e a distinção não poderia estar melhor entregue.

sábado, 17 de outubro de 2009

Sweet Virginia (1972).

Sweet Virginia é uma jóia da década de 70. Incluída em Exile on Main Street, é tida como uma das mais belas e desconcertantes canções rock de sempre. Sweet Virginia é uma das maiores homenagens que o rock alguma vez prestou ao blues (e já prestou muitas). Como bom filho à casa torna, os Stones chegaram-se descaradamente à frente para compor um nobre gesto de gratidão, uma carta de amor eterno à música de onde emanam toda a sonoridades e todos os géneros musicais do século XX.
Sweet Virginia, deliciosamente clássica, provoca calafrios. Senhoras e senhores, os Rolling Stones:


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Gritty Shaker (1996).

As passeatas de final de tarde pelas ruas Oslo começam a dar frutos. Não que até agora não tenha prestado a devida atenção à cidade e àquilo que ela tem de melhor. No entanto, só hoje fui capaz de nela descobrir um pequeno grande achado: em plena Akersgate, bem perto do sítio onde trabalho, situa-se uma loja de música e filmes em segunda mão como eu nunca vi na minha vida. Daqui por diante o melhor será mesmo evitá-la, para não cair em tentações desmedidas.
Todavia, e como somos todos filhos de Deus, não pude deixar de deitar a mão a Let's Get Killed de David Holmes, talvez o único DJ que sou capaz de ouvir com atenção.
Chamado por Steven Soderbergh para participar na BSO da estrondosa trilogia Ocean's, Holmes não desapontou e rubricou um trabalho assinalável. Senhor de uma mestria e de uma criatividade sonora invejáveis, Holmes é também autor de uma discografia considerável que vale bem a pena descobrir para todos aqueles que queiram dar uma oportunidade à música electrónica. Pessoalmente, não sou nem de perto grande apreciador do género; mas o mesmo já não posso dizer da obra deste norte-irlandês, a qual aprecio e não é pouco.
Aqui fica Gritty Shaker, ponto alto de Let's Get Killed e de Ocean's Eleven.

P.S.: Se atentarmos em Slashers Revenge, verificamos quem é o pai e a mãe do projecto Gorillaz.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Fly Farm Blues (2009).

Depois dos recém-formados Dead Weather, eis que Jack White volta a surpreender. Fly Farm Blues marca a estreia a solo deste autêntico "midas" da guitarra. Mais uma cartada genuinamente arrebatadora, com cheirinho a Nashville. White prova mais uma vez que, para além da sua génese camaleónica, é um artista com uma capacidade criativa invejável e mostra que é, sem qualquer dúvida, um autêntico predestinado. Já não se fazem muitos como ele.


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ballad of a Thin Man (1965).

Ballad of a Thin Man faz parte de Highway 61 Revisited, álbum de 1965 e um dos maiores e mais aclamados registos do compositor/letrista norte-americano. Os meados da década de 60 foram anos em que Dylan se passou definitivamente a assumir como porta-estandarte de uma contra-cultura emergente. Transpondo isto para as suas canções, tal redundava em constante alusões a figuras alegóricas e em composições marcadamente ambíguas. O universo de Dylan era uma mescla de múltiplas influências, e nem todas as mutações verificadas na sua música eram pacificamente aceites e compreendidas pelos fãs.
Ballad of a Thin Man é uma referência a essas incompreensões e a uma certa intolerância demonstrada por certos meios da crítica musical da época, simbolizada por um certo "Mr. Jones". Jones seria, muito provavelmente um desses críticos. Aqui fica uma das suas melhores intrepretações ao vivo desta magnífica canção.


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Transformer (1972).


Transformer, o segundo álbum a solo de Lou Reed, produzido por David Bowie e Mick Ronson, atribui outra profundidade ao glam rock, que à data atingia o seu auge. Já depois dos Velvet Underground e do famoso "álbum da banana" de Warhol, Reed tem aqui das maiores marcas da sua carreira.
A colaboração com Bowie, advinda de uma admiração mútua vinda de trás, catapulta Reed para o estrelato definitivo e dá à luz este Transformer, um álbum perfeitamente limado, e que roça a perfeição de forma quase comovente (todavia deixada em Velvet Undergrond & Nico).
Sim, é aqui que se encontram Vicious, Perfect Day, Walk on the Wide Side e Satellite of Love; todas elas pegadas profundas no terreno movediço no qual a música dos anos 70's se movia. As drogas, a ambiguidade sexual, o álcool, a procura do 'eu', a celebração das pequenas rotinas. Transformer acusa de maneira notória a refinação do som de Reed, talvez até em demasia. Talvez a única que lhe possa ser apontado seja precisamente o facto de não estar ali um Lou Reed a 100%. É, no entanto, um registo extraordinário. Todas as faixas são surpreendentes, dançáveis, despreocupadamente 70's. Destaque, além das suprasumo, para I'm So Free e Make Up, esta última um daqueles exemplos onde mais se nota a marca de Bowie.

domingo, 9 de agosto de 2009

[On] Fire!

Que os Kasabian são das bandas mais entusiasmantes do momento, já se sabia (vade retro Kaiser Chiefs). Prova disso reside por inteiro no novo álbum, magistral a todos os níveis. Os Kasabian estão para a música como Ibrahimovic está para o futebol: parece fácil. Só que esse 'fácil' advém da sua genialidade e da sua insubmissão.
Ao terceiro registo, os Kasabian estão mais maduros. Ao terceiro álbum, sabem o que querem e para onde vão. Talvez isso tenha sido (a única) falha de Empire. É como se nos perguntassem: o que é que vocês querem de uma banda? Que desejos têm os nossos sensíveis ouvidos? A resposta está em West Ryder Pauper Lunatic Asylum. Sim, eu por mim quero é Kasabian.
Para a rendição definitiva, aqui fica Fire, uma amostra do poder destes rapazes.


domingo, 28 de junho de 2009

Michael Jackson (1958-2009).



Morreu o maior.
Este homem foi um dos maiores visionários do mundo da música. Tinha um talento absolutamente inimitável, e influenciou decisivamente um sem-número de músicos que lhe seguiram. A música, tal como a conhecemos hoje, não seria a mesma sem Michael Jackson, sem a sua genialidade e sem o seu carisma. Michael é, e será sempre, único.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Reptilia (2003).

Reptilia é uma das canções mais espectaculares dos The Strokes, banda que fez cair o queixo a meio mundo aquando da estreia com Is This It. Não deixa de ser curioso que praticamente todas as referências a Room on Fire - o magnífico registo onde se inclui Reptilia - não lhe faz o devido jus. Não quero pois de deixar de reparar tal indelicadeza deixando aqui a devida vénia a um dos grandes riffs dos últimos anos.
Reptilia é sempre a dar-lhe, não pára. Aqui não há pausas para Kit Kat. Só se pára no fim, quando os ouvidos ainda não se habituaram ao silêncio e quando os neurónios deixam com dificuldade de reflctir em como foi possível aquela transição...Reptilia é uma injustiçada.
Aqui fica uma das versões ao vivo, embora recomende vivamente outro tipo de audição.


quarta-feira, 10 de junho de 2009

Coreto Vivo.


No próximo dia 12, sexta-feira, o coreto da Alameda será alvo de uma bem precisada reanimação. A louvável iniciativa partiu da Associação Efeito Borboleta, e a festa está garantida. Mais informação, aqui e aqui.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Widow of a Living Man (1997).

Que Ben Harper é um músico brilhante, já o sabíamos. Que do seu talento jorra arte em doses abundantes também o sabíamos. Para a indefetível devoção ao norte-americano contribuiram canções como Steal my Kisses, The Woman in You, ou Amen Omen. Para não falar de versões como Sexual Healing ou Like a King.
Mas do repertório do norte-americano fazem parte jóias como esta, Widow of a Living Man. Aqui tocada ao vivo, provavelmente como saberá melhor, a canção faz parte de The Will to Live, o terceiro do artista, editado em 1997. Tendo por tema uma disfunção familiar, a canção é dramaticamente profunda, goteja esperança e incredulidade pela ruína de uma realidade que não compreende. É uma soberbamente ritmada ode à fé e a benevolência perante a rudeza da vida e deve ser, por isso mesmo, encarada como uma celebração.


domingo, 3 de maio de 2009

The Privilege of Making the Wrong Choice (1998).


Fui convidado pelo autor deste blogue a escrever umas palavras sobre esta “defunta” banda e sobre este álbum em concreto. Mas vamos por partes.
Os ZEN foram um colectivo que surgiu na cidade do Porto em 1996, após a extinção dos No Creative Solution e dos Cosmic City Blues. Da primeira sairiam para integrar os ZEN o vocalista Rui Silva e o baixista Miguel Barros, enquanto que o guitarrista Jorge Coelho (que actualmente toca com os Mesa) e o baterista André Hollanda haviam sido membros dos Cosmic City Blues.
Em 1998 surge o álbum The Privilege of Making the Wrong Choice, que considero ser um tesouro perdido do rock nacional em particular e da música portuguesa no geral, isto a par de outros projectos nacionais que apesar de terem um culto à sua volta (o dos ZEN tinha bastantes “fiéis” até) acabaram por cair no esquecimento ou cessaram actividades. Como exemplo, posso apontar bandas como os Feed – que tocavam um funk/rock muito interessante e cujo vocalista milita hoje nos menos interessantes EZ Special; e os Zorg, um powertrio que não desiludiria nenhum fã de Placebo ou até mesmo de QOTSA.
Mas voltemos aos ZEN. Apenas conheci a banda nos meados de 1999, quando dois colegas de turma, repetentes e um pouco mais velhos, me questionaram sobre se gostava ou não da banda: “Curtes ZEN?”, perguntaram-me eles. A minha resposta, apesar de negativa, mudou para melhor os meus gostos musicais, tornando-me um fã incondicional até aos dias de hoje.
“Ouve aí, já que não conheces…” disse um dos rapazes enquanto me passava um leitor de cassetes (sim, sou desse tempo) com o já referido álbum. Após a primeira audição completa já sabia que tinha que o ter o quanto antes. Tinha ficado impressionado com faixas tão poderosas como Redog, U.N.L.O, a contagiante versão de Trouble Man, um tema de Marvin Gaye; e a música que para mim é um exemplo do que melhor se fez em Portugal no que diz respeito ao rock, 11.00 AM – uma verdadeira lição que muitas bandas actuais que só se preocupam com a imagem deveriam aprender.
É efectivamente uma pena que este álbum seja já um pequeno tesouro perdido, porque merecia um lugar nos quadros de honra da música nacional, visto ser um dos melhores ou até mesmo o melhor álbum dos últimos 20 anos em Portugal. Desculpem-me os fãs de Ornatos Violeta por esta afirmação, mas até vocês, bem lá no fundo, sabem que é verdade.
Despeço-me com uma pergunta: “E tu? Curtes ZEN?”

António Freitas

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Fleet Foxes (2008).


Há uma pequena maravilha no incomensurável mundo musical ainda não devidamente laureada com os devidos méritos. Fleet Foxes, com álbum homónimo, parecem retorcer a canção tradicional e dela retirar a sua semente, o seu esqueleto. As canções dos Fleet Foxes não são estranhas a quem as ouve. Parece que estiveram sempre no ouvido, sem todavia nunca as termos ouvido.
Fleet Foxes é uma inversão de marcha no tempo até aos primórdios da pop que nunca existiram; é a criança grande sobredotada a quem já ninguém ensina nada. Fleet Foxes são exactamente isso: um fenómeno. A pureza requintada do álbum não se fica pelas aconchegantes melodias. Toda a temática envolvente é de um lirismo enternecedor que faz com que tudo nas canções sobressaia sem esforço, sem mácula. Pássaros, montanha, família, morte, vida. Nada de mais, mas mais não seria necessário.
Tiger Mountain Peasant Song foi a escolhida para encabeçar o estonteante desfile melódico que é Fleet Foxes, embora qualquer uma das outras pudesse receber esse epíteto. Das mais ritmadas como Ragged Wood, até às mais sombrias como Heard Them Stirring, Fleet Foxes é desconcertante para todos os sentidos do corpo. A voz de Robin Pecknold é um bálsamo para os ouvidos, atingindo o pico da grandeza na estoteante Your Protector.
Se a tudo isto se juntar o segundo disco da edição portuguesa, vemos que lá se incluem quase todas as entradas do EP lançado antes do álbum, e das quais se destacam English House e uma versão de Mykonos, um canção portentosa soft-rock para ouvir de sorriso estampado na cara.
O mar acústico que é todo o álbum, entrelaçado com harmónicos coros e uma guitarra do outro mundo (Dylan à espreita) faz de Fleet Foxes e da sua estreia um marco em absoluto e uma retumbante vitória, deixando qualquer desprevenido ouvinte ávido por mais.

sábado, 18 de abril de 2009

Podridão Bacoca.

Talvez por estarmos em Abril, mês onde até o ar cheira a liberdade, os Xutos e Pontapés fizeram questão de usar a política para dizerem ao país musical (e ao país político também mas que foi usado para tal) um grande: "sim ainda existimos, sim ainda estamos vivos, por isso olhem um pouco para nós se faz favor".
É muito mau. Estamos a voltar ao tempo em que era preciso socorrer-se de uma música para protestar contra o Governo. Este tipo de intervencionismo soa mal hoje em dia. É uma forma cinzenta de protesto, amorfa, gasta, sensaborona. Não faz mover. Soa a aproveitamento piroso das circunstâncias. É roto. É super-mega-hiper-pretensioso, falso. Vem de um grupejo ultrapassado com bastante dinheiro nos bolsos, não de alguém letrado e realmente compelido e talhado para o intervencionismo artístico na política.
Pobre Zeca, deve estar a dar voltas na tumba. No seu tempo a sua música adaptava-se às circunstâncias e, ao mesmo tempo, era bela e maravilhosa por si só. Era pensada, subtil. O que esta banda fez é de uma rasquidão de todo o tamanho. Não diz a cara com a careta, e assenta-lhes muito mal. Só pode ser visto como um pedido de socorro que atesta a já difícil de esconder decadência da banda. Grotesco.
Ai Zeca, Zeca...nem queiras ver. Muito menos ouvir.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dylan por Bono.


Dylan fez com a canção o que Brando fez com a representação. Rompeu o artifício para chegar à arte. Ambos deitaram abaixo as regras rígidas estabelecidas pelos professores do seu ofício, chegaram junto do público e disseram: «Desafio-te a pensares que estou a brincar».

Bono Vox, Blitz nº34, pág.44 (Abril 2009).

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Plastic Fang (2002).


Há exactamente sete (!) anos, Jon Spencer e a sua trupe editavam Plastic Fang, o oitavo registo dos nova-iorquinos. É impossível rotular seja de que maneira for o que Jon e os compinchas fazem. Groove, punk, rock, blues, indie? Tudo? Nada daquilo? É complicado. Apenas uma coisa é certa: it's damn good!
Há sete (!) anos também, um indivíduo douto nestas andanças chamou-me entusiasmado para escutar por breves momentos um certo som que saía de uns auscultadores na Worten (infelizmente, sitos algures entre Toy e Mónica Sintra). Esse som era Jon Spencer e o indivíduo em questão happened to be my cousin. E estava feito: meio minuto depois, Jon e a respectiva comandita ganhavam dois fãs do outro lado do mar. Obrigado meu.
Grande voz, enormes guitarras a rasgar o limite. Som "abluesado" pelo meio, uma estrada musical feita de lampejos inescedíveis, uma sensação de energias inesgotável, impiedosa e furiosamente dinamitada. Mas o que é isto? Que som saído dos confins dos amplificadores é este que cola imediatamente ao mais desprevenido e ao mais sabichão dos ouvidos? Blues Explosion é a democratização do rock, é blues lançado às feras da corrente eléctrica, é descarregar emoções acumuladas em plena noite de trovões. É um go fuck yourself às convenções. Não devia ser assim toda a música?

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ainda a pérola de Eastwood...

Ainda a propósito de Gran Torino, torna-se imperioso ouvir o tema de Jamie Collum. É uma melodia assombrosa e de derreter quaisquer "Walt Kowalskis" que por aí deambulem. Uma vénia ao senhor, isto é qualquer coisa. Ouvi-la é sentir o filme.


segunda-feira, 23 de março de 2009

Synkronized (1999).


Faz este ano uma década que Synkronized viu a luz do dia. Por meados de 1999, Jay Kay e os seus lançavam aquele que pode até nem ser o seu registo mais bem conseguido, mas aquele que mais decididamente definiu e delineou o quadro dos meus gostos musicais. Synkronized é um álbum da "minha" época, daquela verde época em que ainda se está a separar o trigo do joio, daqueles recambolescos e indefinidos anos em que andamos à procura do que somos (não só mas também) um pouco pelo que ouvimos. Posso por isso dizer que Synkronized foi o meu mais decisivo trampolim para outros voos, para outras andanças.
O mérito de Synkronized é tanto devido à sua inegável qualidade, como à altura em que surgiu. Surgiu-me na altura ideal, precisamente na altura em que decidi explorar mares musicais desconhecidos. E por aí ficou. Ouvi e não mais larguei. Até hoje, é o disco mais ouvido da minha vida. Synkronized é como um velho amigo que não se vê há muitos anos, mas que apesar do tempo não perde proximidade, muito menos cumplicidade. Hoje, olho para Synkronized, esse good old chap, com um misto de ternura e de agradecimento por me ter iluminado trilhos musicais de qualidade.
Só não acredito é que já lá vão dez anos.