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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Alma-Ata.







Alma-Ata, Casaquistão. Dezembro de 2009.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Алматы, Казахстан.


Depois de três meses em Oslo, passados mais em trabalho do que em diversão, eis que o regresso a Portugal não se efectuará sem uma viagem ao Cazaquistão. Irei também em trabalho é certo, mas mesmo sabendo de antemão que permanecerei ocupado durante a maior parte dos dias em que lá estarei, não posso deixar de estar ansioso e expectante face a um país tão desconhecido. A incógnita, neste caso, é positiva. Precisamente por não saber ao certo o que esperar de um país nascido a partir da dissolução da URSS, a curiosidade é ainda maior e o entusiasmo também. Almaty, onde me deslocarei, será porventura uma cidade bastante diferente de Astana, a actual capital, decerto mais sovietizada e não tão moderna. Não espero, contudo, que isso seja algo de negativo, pois a tipicidade de Almaty só faz com que seja possível conhecer melhor as idiossincrasias locais. Não sei se será como regressar à URSS, mas assim como mero prognóstico, algo me diz que o Sacha Baron Cohen exagerou um bocadinho. A confirmar.
Estarei, na próxima 3ª feira e durante seis dias, em plena Ásia Central, bem perto da fronteira ocidental da China, num país tão ilustremente desconhecido para o comum dos europeus como os restantes "ãos", seus vizinhos meridionais. O conhecimento teórico do país e a meia-dúzia de estereótipos que tenho na cabeça não são suficientes para amenizar a curiosidade e o exotismo da deslocação. Quando giramos o globo no conforto dos nossos lares, Almaty não será para muitos uma primeira opção de viagem, e para tantos outros nem chega a ser opção nenhuma. Mas a mim, a incógnita faz-me salivar. É para Almaty? Pois sim!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Obamania (III).


Entre Palestina, mudanças climáticas, bases americanas em Vicenza, Irão e anti-globalização, o menu era farto e era só escolher. As causas eram muitas e variadas, e nada como a visita de um Presidente norte-americano para as acicatar. Chato mesmo seria estar-se em frente à entrada principal do hotel onde ficou instalado o Sr. Obama e não ter nada para protestar.
Urgentemente precisado de uma causa, eis que ela miraculosamente vem ter comigo. Depois de vários minutos de heróica dedicação, passados em solitária deambulação por entre uma moldura humana subitamente interessada na minha pessoa, talvez o Dalai Lama um dia me agradeça.

Obamania (II).


Aquele casaco amarelo (nada discreto) é o da senhora primeira-dama, Michelle. Obama também lá está, embora não tão nítido. Nesta altura, a apoteose era já quase total, atingindo o clímax nos momentos imediatamente a seguir, em que o Presidente se voltou para saudar o bom povo norueguês, que tão ansiosa e pacientemente o aguardava. O Escrito na Pedra não perdeu a oportunidade e registou o momento (não muito bem mas registou).

Obamania (I).



Aqui ficam duas provas inequívocas da loucura que invadiu a pacata cidade de Oslo, neste dia 10 de Dezembro. Um dia igual a tantos outros, não fosse a ilustre visita de Barack Obama, e a perturbação ao quotidiano da cidade que ela acarreta. Obama não mexeu com Oslo, Obama acordou a sonolenta Oslo com um balde de água gelada a meio da noite. Cá para mim, a cidade não conhecia tanto rebuliço desde que os alemães nela entraram nos idos de 40. E mesmo assim não sei não.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Estocolmo.




A menos de uma hora de avião de Oslo, Estocolmo apresenta-se como uma solução de viagem mais acessível do que muitas regiões da Noruega, que se localizadas noutro país menos afortunado, estariam perigosamente em risco de esquecimento. Tal não acontece é certo, mas isso não torna uma hipotética deslocação às paragens setentrionais do país mais facilitada, já que as poucas horas de luz do dia que Oslo ainda consegue gozar, são um bem ainda mais raro lá em cima. E tendo em conta que a ambição não me deixaria viajar abaixo de Tromsø, creio que, nesta radical época do ano, fiz uma boa escolha ao optar pela bem mais meridional Estocolmo.

E a cidade não desilude, de facto. Estocolmo é uma visita curiosa e não deixa ninguém indiferente ao encontrar-se fragmentada entre pequenas ilhas. Esta divisão não faz Estocolmo parecer tão grande em terra quanto vista de cima. Só assim se pode ter uma ideia da dimensão da cidade, de resto bem maior do que Oslo. Por outro lado, há a diferença arquitectónica, bem patente no estilo dos edifícios históricos. Tal não é de admirar tendo em conta que, nos longos tempos que durou a união política entre os dois países, toda a nobreza - logo, todo o dinheiro - se encontrava na Suécia. Daí que Estocolmo se apresente, se assim se pode dizer, como uma cidade bem mais 'europeia' do que Oslo - ao passo que esta é mais genuinamente 'escandinava', com uma arquitectura e uma disposição urbanística mais sóbria, mais rectilínea e com menos ostentação. O Palácio Real é a prova mais clarividente desta diferença, e não é sequer comparável ao de Oslo, nem em tamanho, nem na ornamentação, nem na riqueza e faustosidade do interior.Diferenças nítidas também ao nível do rush citadino e do volume de trânsito, incomparavelmente maior do que em Oslo. A diferença de dimensão entre as duas cidades nota-se na vida artística e cultural de Estocolmo, com mais centros de arte, moderna e clássica do que Oslo, ainda que o gosto pelas artes seja comum e igualmente praticado por suecos e noruegueses.

Uma última palavra para a cidade velha, Gamla Stan, a mais atractiva de todas as ilhas que compõem a cidade e ponto turístico obrigatório em Estocolmo, especialmente para quem desde o início luta com imperativos de tempo e deixou ainda muito por ver. Tal não espanta, pois 14 ilhas diferentes não se percorrem num par de (meios) dias. Uma vez mais, e tal não me desagrada, ficaram motivos para voltar.

sábado, 14 de novembro de 2009

Senhoras e Senhores: o Flåmsbana.




Digerida a passagem por alguns dos sítios mais belos que já presenciei "in loco", chega a altura de escrever mais algumas palavras sobre as maravilhas da região de Vestlandet - literalmente 'terra do Oeste'.
Desta vez para aferir um pouco mais sobre uma das mais idílicas linhas férreas do mundo, a linha de cerca de 20km de extensão que liga as pequenas localidades de Flåm e de Myrdal. Trata-se de uma pequena linha férrea com ligação directa à linha principal Oslo-Bergen, mas que em tão curta distância é capaz de proporcionar momentos não menos inesquecíveis. Em apenas 20km, a linha férrea sobe continuamente entre montanhas e vales em ziguezague, desde o nível do mar até atingir ao longo do percurso os perto de 900 metros de altitude.
O Flåmsbana - assim se chama a nossa simpática composição - torna-se no guia que transporta o mais desprevenido dos visitantes a uma visita guiada com vista privilegiada sobre o recorte natural da região, uma maneira fantástica de absorver por completo o lugar onde nos encontramos. Absorver a beleza indescritível da viagem não é fácil, tal como não é fácil libertarmo-nos do torpor embevecido depois desta terminar, já em Myrdal, a uns muito respeitosos 866,7 metros, e encurralados por deslumbrantes montanhas onde o branco impera.
Menos não seria de esperar de uma linha férrea constante do restrito lote das 25 mais belas do mundo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ida e Volta ao Paraíso.


Não faltam momentos ao comum dos mortais em que a crença nas coisas boas e bonitas deste mundo se parecem afundar num mar de dúvidas, de ansiedade despropositada e, acima de tudo, de falta de fé e de vontade de sorrir. Afundados nas nossas modestíssimas vidas quotidianas, agrilhoados a coisas não raras vezes superficiais, laterais, à procura de um qualquer bem maior que nos faça feliz, sem realmente saber exactamente qual, o quê, ou quem.
Só por estes dias tive a certeza de que a felicidade pura e embevecida só pode ser proporcionada pelo contacto com a perfeição. Perfeição, conceito inerentemente avesso à presença humana, só pode ser proporcionado pelo contacto com um lugar que parece permanecer fora do mundo e das coisas terrenas, acima da iniquidade e da perfídia dos Homens, bem junto de algo que não somos capazes de entender.
O contacto com os fiordes levou-me, durante algumas benditas horas, a estado de letargia emocional, a uma espécie de nirvana onde nada mais existia senão as majestosas montanhas, as árvores, a água. Esmagado pela beleza natural circundante, senti estar perante algo de divino, de incompreensível. Como se olhar extasiado para uma paisagem tocada por Deus nos fizesse estar mais próximos da verdade, mas ao mesmo tempo, longe como sempre.
Durante algumas horas, sei que estive preso a um sentimento chamado felicidade, não àquela felicidade de todos os dias, mas a um preenchimento de todos os cantos da alma por esse sentimento que, bem vistas as coisas, é a única razão pela qual habitamos esta Terra.
Durante algumas horas, fiquei com a certeza de que o verdadeiro mundo é aquele, não é o nosso. Durante algumas horas, não fiz parte dele.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Oslo Pela Objectiva (I).








À entrada para a terceira semana por terras escandinavas, é altura de deixar aqui algumas fotografias de alguns dos mais emblemáticos edifícios da capital norueguesa. São eles, respectivamente o Nobel Peace Center, o Teatro Nacional, o Stortinget (Parlamento), o City Hall, e (lá ao fundo) a fortaleza de Akershus. Contrariamente ao que imediatamente se possa julgar, não é neste último edifício que ocorre a cerimónia anual de entrega do Nobel da Paz. Essa dá-se, em Dezembro, no City Hall, localizado a apenas escassos metros do mesmo. De resto, todos estes edifícios estão bastante próximos entre si e, juntamente com o Palácio Real e com a moderna zona comercial e habitacional de Aker Brygge, perfazem os maiores locais de interesse da baixa de Oslo. Mais seguirão.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Primeiras Grandes Impressoes.

Os dias finalmente assentaram. Oslo merece alguma paciencia, visto que, mesmo que as coisas nao parecam bem encaminhadas no inicio, a cidade acaba por compensar-nos com a sua organizacao, com a sua quietude e com a sua indiscutivel beleza. Oslo, para alem da qualidade de vida evidente, tem zonas realmente apreciaveis. Desde a majestosa Karl Johanns Gate que desemboca nos bonitos jardins do Palacio Real, passando pelo Parque Frogner, ate a esplendorosa vista da fortaleza Akershus para o cais da cidade, Oslo e uma cidade onde apetece viver.
A qualidade de vida na cidade nao e somente fruto das boas acessibilidades ou da sua beleza natural. Oslo e um sitio aprazivel para se viver porque e uma cidade despoluida, no sentido mais abrangente da palavra: a qualidade do ar e da agua sao fantasticas; o "rush" citadino e doseado e fragmentado, mesmo nas arterias principais; e praticamente nao existem engarrafamentos. Tudo isto numa cidade com uma populacao total de mais de 800 mil habitantes. Um exemplo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Uma Casinha Se Faz Favor.

E ao terceiro dia as coisas ainda nao estao compostas. Oslo acarreta uma dificuldade quase biblica em arranjar um quartinho, um pequeno e insignificante poiso para pouco mais que pernoitar e proporcionar aos neuronios um merecido repouso no final do dia. Mas, inesperadamente, apos tres dias de intensa procura, a verdade e que je me custa falar com irredutiveis noruegueses que exigem nada menos do que um ano de permanencia nos seus lares.
Hoje (so hoje) tenho mais de dez contactos em cima da mesa e ja deitei fora outros tantos. Para nao falar no dia de ontem e de anteontem. E pronto, pobre do portuguesinho que vem para ca! Mais facil seria arranjar um quarto na Lua.

P.S.: A falta de acentos sera uma constante a partir de agora. O meu teclado tem o alfabeto cirilico mas nao tem acentos, tao necessarios para escrever em portugues.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

De Partida.


O autor deste blogue é, pode-se assim dizer, um homem com sorte. Momentânea ou não, este intermitente escriba vai mergulhar, daqui por não muito mais de 24 curtas horas, em mais uma aventura da sua vida. Quis o destino - essa palavra de que tanto gostamos - que Oslo fosse a cidade que, durante as próximas 12 semanas, me acolhesse. Mesmo desconhecendo as características da hospitalidade norueguesa, conto em ser bem recebido. Perante a incógnita, só tenho a garantir o melhor de mim, a minha abertura de espírito e, sobretudo, a infindável vontade de aprender. Se assim não fosse, a calma do lar e a pacatez da nossa querida cidade seriam uma resposta bastante mais apropriada.
Todavia, não sou assim. Cresci com a ânsia de conhecer o mundo, fascinado pela sua diferença, pela riqueza das suas múltiplas culturas e hábitos de vida. É uma coisa de puto, que sempre senti, talvez banal; mas nem por isso menos pessoal. É com satisfação que parto, ávido por uma nova integração num ambiente distinto, ciente de que sempre que saímos além-fronteiras levamos connosco o sítio de onde vimos, e dele somos e seremos sempre seus representantes.

A partir de 22 de Setembro, este blogue será actualizado tanto quanto possível a partir de Oslo, Noruega.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Obrigado Senhores.


A Volta ao Mundo parece ter gostado das palavras que há dias dediquei à Big Apple e, como tal, escolheu a respectiva missiva como vencedora da edição de Março. Como se pode ver, pude escolher dois guias de viagem (ui que sorte...), e tendo eu escolhido Paris e Londres, quem tiver ou vier a ter planeada alguma deslocação a estas duas belas capitais, pode sempre pedir-mo(s) emprestado(s). Será um prazer. Por agora, o meu obrigado aos simpáticos senhores da Volta ao Mundo.


P.S.: Da próxima vez, seria pedir muito uma viagem a sério?

sexta-feira, 13 de março de 2009

Ali Não Se Dorme.


A capa da Volta ao Mundo deste mês remete-me para uma das melhores experiências da minha vida. Era muito novo é certo, novo demais provavelmente para apreciar devidamente uma cidade como Nova Iorque. Mas lembro-me do movimento, do rush, daquele frenesim tão típico mas ao mesmo tempo ainda tão distante. Nova Iorque é a cidade dos sonhos e cada um vive-a muito à sua maneira, segundo padrões próprios. É uma cidade diferente com o mundo lá dentro, é a capital da tolerância e da liberdade.
Lembro-me da Times Square, assombrosa pelo néon das luzes. Lembro-me da ilha do emigrante, porta de entrada para um admirável mundo novo. Lembro-me da escadaria da Estátua da Liberdade, a perder de vista. Lembro-me da Catedral católica de St. Patrick. Lembro-me de olhar boquiaberto para a infinidade da 5ª Avenida. Lembro-me da Lexington, do átrio do Lowe's, do ritual de comer na rua como qualquer outro. Lembro-me da envolvência pouco familiar de Chinatown e do colossal Central Park. Lembro-me do sítio onde Lennon foi assassinado, dos yellow cabs, dos Lincoln's, e das Torres Gémeas de pé. Lembro-me de tentar capturar a grandeza esmagadora do Empire State e de não ter conseguido.
Lembro-me disso tudo e de muito mais. E digo que tomar o pulso áquela cidade é tomá-la como nossa. Não saí de lá apenas português, saí nova-iorquino. Saí mais cidadão do mundo do que era antes.
Como diz a célebre canção e muito bem:
New York, you're perfect
Don't please don't change a thing...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ser do Mundo.


Esta pode muito bem ser a viagem de uma vida. Para qualquer um que sonhe poder viajar livre e despreocupadamente à volta do mundo, o desafio é cruzar sob linhas férreas vários milhares de quilómetros, desfeiteando planícies, vales, cordilheiras e montanhas, penetrando fervorosamente no interior desértico das estepes asiáticas. Uma imensidão que a mente não alcança atravessa a rota iniciada na capital russa, culminando no outro lado da Manchúria, em Pequim – uma opção qualitativamente superior a Vladivostok. A viajem, desaconselhável aos menos tenazes, é não só uma verdadeira epopeia geográfica, mas sobretudo uma epopeia de inspecção e de introspecção. Tal empreendimento possibilita o contacto de perto com gentes que não são do nosso mundo. É estar no meio do lado temerário da Terra, aquele lado que desconhecemos e que portanto receamos.
Não conta para aqui a leitura de floreadas crónicas de viagem nem de volumes de enciclopédias: pôr o pé para lá dos Urais é uma aventura única e fascinante, que sacia temporariamente a sede de adrenalina de uma mente aberta ao conhecimento e às coisas novas. E, se viajar é aprender, percorrer 9000km sob carris e suportar uma dezena de fusos horários diferentes é uma verdadeira lavagem de espírito. É fazer reset em muitas convicções que tínhamos como certas e inabaláveis. É crível que observar tamanha pluralidade de tradições, gentes, paisagens e modos de vida em tão pouco tempo possa conduzir a uma mutação profunda no interior de todo aquele que aceita a relatividade da nossa cultura, da nossa arte, das nossas convenções.
O Transmongoliano – uma extensão do famoso Transiberiano – é indubitavelmente a melhor forma de assistir à sucedânea gradual da heterogeneidade cultural, paisagística e biológica do continente eurasiático. Trata-se naturalmente de uma jornada impagável, um gesto de auto gratificação sob a forma de um comboio, que molda forçosamente a perspectiva que até detínhamos da realidade, tão para lá do nosso insignificante quotidiano quanto os quilómetros calcorreados por esta histórica rota. Assistir em lugar de tribuna aos mais simples e pitorescos gestos de alguém; algum habitante longínquo de mundos paralelos ao nosso, gente apenas pensada, nunca reflectida. Esta é a oportunidade única de procurar sentirmo-nos pertença deste planeta chamado Terra, doce lar de tantas terras mutuamente desconhecidas. Tentar reduzir o fosso da irascível ignorância intercultural, para bem nós mesmos e dos outros, porquanto tudo é válido e digno de nota. Para viver sabendo-nos mais homens do mundo, a fim de evitar que o tempo passado neste apeadeiro que é a vida, não tenha tantos obstáculos nem seja tão cruel e triste.