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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Uma Casa Vitoriana Com Certeza.


Depois de assente a poeira motivada pela indecisão de Pimenta Machado em concorrer à presidência do VSC, e agora que já é possível falar em candidatos efectivos e não em pré ou pseudo-candidatos, entendo ser esta a altura correcta para discorrer algumas ideias sobre o acto eleitoral e sobre o futuro do Clube.
Em primeiro lugar, é para mim um alívio saber que Pimenta Machado não é candidato. O direito de concorrer assiste-lhe como qualquer outro sócio que tenha as cotas liquidadas, ainda que todas de uma vez. Mas Pimenta não seria uma candidato qualquer. Pimenta representa um passado que o VSC não deve, para seu bem, escamotear. Pimenta é o símbolo de uma época que já passou, uma época cinzenta e nebulosa, a todos os níveis questionável. O VSC, como instituição, foi nas últimas semanas prova indelével de que a democracia é um sistema maleável, prestável a aparentes ditaduras das maiorias, ainda que essas (mais que duvidosas) maiorias tivessem sido alvo preferencial de sebastianismos enganadores e de pútridas declarações pintadas em tons atractivos para que os de memória curta, os impiedosamente amorais e os mais facilmente impressionáveis pudessem exercer a sua liberdade de "deitar" Pimenta.
A democracia precisa deles para funcionar, ainda bem que existem, pois aqui está uma boa maneira de esta se reafirmar e consolidar consecutivamente, predispondo-se à discussão e a uma continuada revitalização. Mérito aos sócios do VSC. Neste aspecto, só posso agradecer a Pimenta Machado o facto de ter contribuído nestes dias para a destruição - em curso desde 2003 - do mito pimentista. Obrigado e não volte.
Sobram dois. Pinto Brasil, de fala alarve e empinada, e Emílio Macedo da Silva. Sobre a presidência deste último, ocorrem-me sempre que nela reflicto, as palavras de um general romano que em tempos idos declarou sobre os Viriatos, esse "povo que não governa nem se deixa governar". Palavras sábias, vindas de um observdor externo, imparcial e descomprometido. Também os há hoje, mas não somos nem podemos ser nós. Ninguém como nós se gosta de sentir agrilhoado, muito menos quando qualquer decisão ou gesto presidencial nos atinge como se roubassem o chupa-chupa a um filho nosso ou remexessem na nossa mais-que-tudo gaveta da mesinha de cabeceira.
Do ADN do Vitoriano faz parte um amor quase petrarquiano ao Clube, e não permitimos que ninguém lhe faça mal. Pimenta disse que o VSC era como um filho, esquecendo-se que falava do filho de todos nós. Só não lhe contamos histórias à noite nem lhe levamos o leite à cama antes de dormir porque as nossas mulheres, mães ou namoradas ficariam seriamente preocupadas com a nossa sanidade mental se nos vissem afagar com olhar choroso e embevecido o galhardete ou a camisola de treinos do nosso querido VSC.
Ora aquela que foi, é e continuará a ser a grande força e o grande património deste Clube é também um dos seus maiores focos de instabilidade. A frase pode parecer dura demais ou injusta, mas é verdadeira. Contra mim falo, já que faço o mesmo. Berro como todos berram, insultam como todos insultam, gesticulo; mas sei, bem lá no fundo, que é mais fácil as ilhas Vanuatu declararem já hoje guerra aos Estados Unidos do que contentar a 100% um Vitoriano.
Pois é tempo de calma. O VSC tem sido em todos estes anos um antro de sectarismo e de acirrados antagonismos, que só prejudicam o Clube. O VSC não é suficientemente grande para tanta crispação, tanta maledicência barata, tanta crítica destrutiva e tanta animosidade contra os presidentes ou contra grupos de sócios.
Tudo piora quando existe um factor de instabilidade, externo ao Clube, que nos faz remoer de raiva por dentro, chamado Sporting de Braga. Este tem sido outro grande problema do VSC, e que tem injustificadamente transbordado para a vida interna do Clube. O exemplo do SCB é frequentemente citado quando alguma coisa no VSC corre mal. Mas muitos Vitorianos esquecem-se que o Braga passou anos sucessivos sem alcançar qualquer tipo de sucesso. Há quantos anos é Salvador (sim, esse que nos admira) é presidente do Braga? Quantas desilusões tiveram os adeptos do Braga antes deste ano, o ano de todas as maravilhas? Quanta e que tipo de contestação interna tem Salvador? Tem alguém a minar-lhe o caminho, tem presidentes da Assembleia Geral a fazer líder da oposição? Tem ex-dirigentes ricos de berço e pobres de maneiras a achincalhar direcções ao desbarato? E já que se fala tanto em contas, qual o passivo do Braga? O Braga, clube de todas as ilusões, e incomensuravelmente mais pequeno do que o VSC, respira saúde financeira por todos os poros? No Braga houve paciência, houve um presidente que pegou no clube e que passo a passo o levou à época que hoje meritoriamente protagonizam. Muita coisa correu mal pelo meio. E no VSC? Se precalços da mesma dimensão acontecem, cai o Carmo e a Trindade. As direcções do VSC não podem ser culpabilizadas pelo sucesso dos rivais.
O exercício da cidadania - neste caso de associação - deve ser responsável e racional.- A responsabilidade dos sócios é fazer críticas, preferencialmente construtivas, e não associar todo e qualquer assunto do Clube à falta de golos nas balizas adversárias.
Os Vitorianos têm de pensar o que de bem e de mal foi feito nos últimos anos, o que o Clube alcançou e cresceu (muito), mas têm de estar cientes das suas dificuldades, compreendendo que o Céu não é o limite. Todos queremos mais, mas não podemos estar com quantro pedras na mão cada vez que uma direcção toma ou se prepara para tomar uma decisão, e muito menos quando a equipa entra em campo. O principal papel do adepto é apoiar, tanto a equipa como as direcções. Não incondicionalmente, mas com responsabilidade e moderação.
Nos últimos tempos o apoio à equipa tem-se esbatido, e a culpa parece ser da direcção. Não o é. Este princípio é errado, são os sócios que devem puxar pela equipa e não o contrário; devemos pensar o que podemos fazer pelo VSC e não no que o Clube pode fazer por nós. Os Vitorianos não estão a deixar de ser únicos. Os Vitorianos SÃO e continuarão a ser únicos, mas devem apostar em dar às direcções e aos restantes profissionais do Clube mostras da sua grandeza, de modo a que todos eles percebam onde estão e o que deles se espera. Não nos podemos substituir a funcionários, dirigentes e jogadores do Clube, nem ser impiedosamente críticos quando as coisas correm menos bem. O nosso papel como sócios amantes deste Clube é fazer o que fazemos melhor, aderência em massa aos treinos, iniciativas pujantes e merecedoras da atenção e do respeito de todos, divulgação do nosso Clube além cidade, etc. Enfim, ser criativos como sempre fomos e como sabemos ser. Não devemos tentar a todo o custo levantar a voz acima dos outros com mezinhas milagrosas para o sucesso do Clube, nem com receitas infalíveis, nem com ideias iluminadas. A era do "eu é que sei", do "eu faria melhor", do "eles são todos burros", do "eu é que tinha razão" seria bom que acabasse. Quer queiramos quer não, esta é a verdadeira força do Clube, na ausência de cofres cheios de milhões para comprar jogadores. Sem esta massa associativa, o VSC é apenas mais um. Pensemos o Clube sim, mas sobretudo pensemo-nos a nós também - para que o VSC não se vulgarize.

sábado, 7 de novembro de 2009

1-0 do Nosso Contentamento.

E já está! Aqui está a prova do que o Vitória pode fazer com atitude e com garra. O Braga cai onde menos queria: em Guimarães!! Noite de merecida alegria para todos os vitorianos, há tempo demasiado precisados de um bálsamo destes. Ganhar ao Braga é como juntar conhaque e trabalho: sua-se e sofre-se desalmadamente, mas é de um prazer divinal...
O festejo do golo foi um profundo desabafo colectivo após as semanas conturbadas que o clube tem vivido. Um festejo monstruoso só ao alcançe dos melhores adeptos do mundo e, mesmo à distância, tão familiar.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Filhos do Rei Não Mostram Medo!

Longe de Guimarães, dou por mim a reflectir um sem-número de vezes na vontade que tenho em estar no estádio amanhã, dia em que o Vitória disputa um dos mais interessantes jogos da época. Não posso naturalmente, mas vou torcer avidamente à distância, sabendo de antemão que vou ter o coração a bater duplamente depressa durante 90 minutos.
Já na ânsia pelo desafio, reflicto naqueles bons velhos anos em que ficar à frente do Braga era absolutamente banal, um dado quase adquirido, poucas vezes interrompido. Lembro-me, ao longo dos idos de 90, de não se falar em rivalidade como se fala hoje. O mundo vitoriano, rotinado a vencer o rival, bocejava quando o assunto era jogar com ele. Lembro-me de não ser conversa recorrente a comparação entre os dois clubes, pois tal era simplesmente disparatado, tal a diferença de dimensão. O Braga era confortavelmente relegado para segundo plano pelos vitorianos, sempre confiantes no triunfo.
Ganhar ao Braga era rotineiro, uma tarefa enfadonha cumprida com dever de missão - uma terapia sazonal para os vitorianos. Ganhar ao Braga era um desporto municipal; o mestre a ensinar ao aprendiz como se faz, com repetidas demonstrações de pura grandeza. O Vitória ganhava ao Braga porque, como acontece na Mãe Natureza, o mais forte dita a lei e sobrepõe-se ao mais fraco. Saudosos tempos em que o Vitória fazia de Astérix, esmurrando consecutivamente os de Bracara Augusta, com arraiais sistemáticos de golos, para nosso deleite e para resignação alheia.
Agora pergunto: e hoje? Que se passa com um clube que recebe o Braga e parece encolher-se, amedrontado, fugidio face ao vizinho que sempre lhe foi, e continua a ser, inferior? Inferior em adeptos, inferior no fervor clubístico, inferior no historial, inferior no simbolismo, inferior na paixão e na união? Que receio se pode ter face a um clube inferior a todos os níveis? O Vitória nunca, mas nunca se pode acanhar contra o Braga, sob pena de perder o estatuto que detém actualmente perante o panorama futebolístico português e perante o próprio país, de resto seu por direito.
Mesmo em crise directiva - mais do que directiva, estrutural - o Vitória como instituição, como clube de dimensão incomparavelmente superior, não pode nunca recear um clube como o Braga. É nestes momentos, ainda que cirúrgicos, que o Vitória tem de relembrar ao seu vizinho rebelde quem é maior. Tem de se agigantar com naturalidade, dando vazão ao estipulado pela Mãe Natureza: os mais fortes vencem naturalmente os mais fracos.
Vamos cumprir a nossa função! Lembrai-vos de quem ostenta o Rei na camisola! A eles Vitória, sem tréguas! Viva Guimarães!! Viva o nosso Vitória!!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Førlandsås.

Alguém quer propor este miúdo ao Vitória?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"El Loco": Esse Gandhi.

Se o Comité Nobel tivesse decidido a atribuição do prémio apenas 48 horas mais tarde, não teria melhor individualidade para premiar do que Martín Palermo. Sim, esse nada ortodoxo futebolista que no passado dia 10 evitou uma desobediência civil em larga escala em Buenos Aires, além de um número significativo de suicídios. É por causa de momentos destes que o futebol é o desporto-rei. São momentos como este que a espaços vão provando que o futebol é muito mais do que uma bola pontapeada durante hora e meia por 22 homens em calções. É muito, mas mesmo muito mais do que isso. E Palermo - ou "El Loco" - é o último "cientista" a provar a veracidade disso mesmo, para gáudio apoteótico de uma nação inteira, ela mesma, "loca".
Mesmo sem ser grande fã da figura de Maradona (não sou), confesso que Mundial sem a tradicional Argentina é como os Beatles sem o Ringo Starr: pode não ser o mais importante, mas tem de lá estar. Agora sim, temos Mundial.
Só falta mesmo Portugal dizer "presente".

domingo, 23 de agosto de 2009

Afrontas Vindas de Dentro.

Escrevo estas linhas profundamente revoltado. Revoltado não só com o resultado do Vitória hoje, mas com aquilo que se passou dentro e fora do campo. Hoje, mais uma vez, o Vitória agachou-se perante um clube de Lisboa a quem nada deve. Uma vez mais, o Vitória deu provas de que não cresce e, pior do que isso, de que parece não querer crescer.
A história, triste para todos os adeptos vitorianos, conta-se em poucas linhas: Agosto; tarde amena e soalheira; primeiro jogo do Campeonato em casa; recepção a um clube que traz muitos adeptos; saudades de futebol. Condições reunidas para um bom e agradável espectáculo, com muita expectativa acerca daquilo que o Vitória pode e deve fazer na época desportiva recentemente começada.
Mas lamentavelmente nada disto aconteceu. Fora das quatro linhas, o Vitória cede duas parcelas das bancadas dos adeptos do Vitória a benfiquistas, para espanto e revolta generalizadas. Para piorar a afronta, foram destinadas as mesmas portas de adeptos aos senhores adeptos benfiquistas, como se do estádio deles se tratasse. Foi a maior vergonha que passei desde que sou associado do Vitória - e já lá vão uns bons anos. Não ao dinheiro a todo o custo, não à subserviência. O vexame só tem um e um único culpado. Esta direcção mais do que ninguém devia saber que as bancadas destinadas aos adeptos do Vitória são exactamente isso: bancadas destinadas aos adeptos do Vitória, e não são para serem vendidas a adeptos adversários a troco de mais uns euros extraordinários, sejam eles quais forem e quantos forem. Pessoalmente, não me importa rigorosamente nada se os benfiquistas à procura de um ingresso para o jogo sejam 5000, 50000, ou meio milhão. Existe uma bancada destinada ao clube visitante, e é essa bancada e não outra(s) que deve ser preenchida com adeptos de fora. Se são mais, temos muita pena, mas não entram.
Dentro das quatro linhas, outro espectáculo lamentável. Pobres daqueles que colocam os seus corações de adepto à mercê de Pedros Proenças e afins, que teimam em fazer de toda uma massa associativa meros berloques perante o poder que lhes é concedido para tomar decisões dentro de campo. Os Pedros Proenças e afins já perderam a vergonha toda. A inclinação do campo, nos dias que correm, já nem sequer é disfarçada. Um penalti para lá de duvidoso, faltas e mais faltas inexistentes e mergulhos em catadupa foram uma constante ao longo de todo o jogo, e acabaram por "oferecer" de bandeja uns imerecidos três pontos ao SLB. E por falar em três pontos, o lance do golo do SLB deve ir para o Watts da Eurosport desta semana. Não fosse eu um vitoriano possuidor de sistema nervoso central, e ter-me-ia rido à gargalhada com a tragicómica representação de Coentrão.
Vitória 0 - 1 Benfica (Marcadores: Pedro Proença 90').

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Vitória 09/10.


A propósito da apresentação dos novos equipamentos do Vitória, é sempre curioso saber o que deles pensam os estrangeiros visitantes deste site. As reacções não são más no geral, sendo que a maior parte parece gostar da indumentária vitoriana para a época futebolística que se avizinha.
Curioso também é o facto de alguém se mostrar surpreendido por Matthew McConaughey (ou por outras palavras, Jorge Gonçalves) jogar no Vitória. Engraçado.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Vitória no Limbo.


E pronto. Cajuda já não é treinador do Vitória. Depois de duas épocas e meia com mais altos do que baixos, Cajuda vai rumar a outras paragens. Vistas as coisas de fora, não é fácil saber de quem é culpa deste desenlace. Será de Cajuda? Ele que retirou o VSC do fosso tenebroso onde se encontrava? Ou será da direcção? Sim, essa que tem dado mostras de alguma (ou bastante) incompetência em vários actos de gestão?O que é inegável, no meio de tudo isto, é que o maior perdedor não é Manuel Cajuda nem nenhum dos elementos da Direcção, mas o Clube e os seus adeptos.
O azedume ensurdedecedor dos últimos tempos é a prova de que este Clube continua sem gente à altura dos seus pergaminhos: a mínima discordância, o mínimo sinal de discórdia, tudo vem a público, tudo se sabe e é dissecado por tudo e todos. Todos podem dizer alarvidades quando batem com a porta; contratam-se assessores de comunicação que passado pouco tempo vão embora; vendem-se jogadores por tuta e meia, substituídos por outros que não valem metade. Enfim, a lista é assustadoramente grande.
Não sei se Cajauda tem razão. Se a tiver, é certo não é nos jornais que a pode manifestar. Mas e esta direcção, que não tem mão nos seus próprios elementos (leia-se Almeida/Xavier)? Estará o Clube a ser anarquicamente gerido? Tantos erros são ou não são incompetência?
Cajuda fez um bom trabalho no Vitória? Facto. Cajuda errou? Facto. Cajuda foi bem mandado embora? Duvido. Duvido muito mesmo. O que me parece é que com boa vontade de ambos os lados as coisas se podiam resolver. Pessoalmente, gostava de ver Cajuda terminar o contrato. Só se pode pedir responsabilidade a alguém se a esse alguém forem dadas condições para trabalhar.
Creio que o Presidente anda a disfarçar a sua situação de fragilidade ao tomar esta abrupta posição de força contra Cajuda. Posição de força essa dirigida na direcção errada, e que deveria sim ter sido dirigida, isso sim, para a formação de uma Direcção capaz, coesa, unida, e que remasse toda para o mesmo lado. Precisamente aquilo que o Vitória, neste momento, não tem.
O tempo dirá quais os custos reais deste desnorte. Começa mal a época.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mais Vitória.


Começa a ser altura de o Vitória assumir uma postura diferente. Tendo em conta a quantidade alarmante de detractores do clube seja na comunicação social, seja no universo futebolístico português em geral, é altura de o Vitória pôr de lado a postura de bom samaritano que as várias direcções têm demonstrado. Como sócio pagante, eu quero ver o meu clube a dar murros na mesa, quero ver o seu presidente a espernear, a berrar, a vir à televisão mal sinta que o clube está - por qualquer motivo - a ser ignorado, a ser de alguma forma diminuído.
O Vitória tem de perder o medo. O mal deste clube é estar há já alguns anos numa crise de identidade da qual ainda não sabe como sair. Ainda não sabemos se somos grandes, ainda não sabemos se somos pequenos, às vezes parecemos acordados, para logo a seguir voltarmos a cair no mesmo limbo de sempre. Afinal, o que é o Vitória? Quer ter dimensão regional, não quer ter? Quer afirmar-se como um clube modelo nalgum aspecto em particular? E a nossa formação, para quando uma aposta assertiva e regular? Qual é o medo? Eu quero ver jogadores que saiam a pingar do campo, quero gente que sinta o emblema. Se um jogador tiver de falhar, que seja alguém a quem a quem o Vitória lhe diz algo. Eu quero ver o bom trabalho da formação no plantel principal. Gaste-se dinheiro no que é preciso.
Não basta acharmos que somos diferentes. Temos de nos fazer notar. O clube não pode andar a brincar às alianças como este e com aquele. O Vitória não pode ter medo de assumir a sua grandeza. Nenhuma direcção pode obstaculizar passos importantes para a afirmação definitiva da grandeza do clube. O Vitória tem de deixar de assinar "protocóis" com clubes que disputem o mesmo campeonato. Mas "protocóis" a título de quê? Tem de ser independente, tem de fazer sentir que é grande o suficiente e que não precisa de ninguém. E, acima de tudo, tem de se fazer ouvir. Tem de dizer bem alto o que deve ser dito, no momento em que deve ser dito. Tem de ser firme. Chega de masoquismo, chega de passividade diplomática saloia. Acabemos com a pequenez na mentalidade, porque de pequenos só temos isso mesmo, a mentalidade.
P.S.: A mentalidade e a sala de troféus. Mas não derivará uma coisa da outra?

domingo, 19 de abril de 2009

Mais Um Ano, Mais Desilusões.

A época desportiva da equipa sénior de futebol do Vitória acabou ontem. Este clube continua a marcar passo ano após ano. Ano após ano as desculpas são diferentes. Ano após ano aos adeptos é-lhes pedido para esperar. Ano após ano, este clube é uma desilusão.
Já não falava neste espaço do Vitória há uns tempos; mas tendo a época acabado ontem, é altura de tecer alguns desabafos. O primeiro tem a ver com a incapacidade da equipa de manter um resultado favorável. É desesperante assistir a um triste espectáculo onde uma vez em vantagem, o Vitória não tem o mínimo de capacidade para marcar mais golos de modo a garantir uma vitória clara e confortável - para si e para os adeptos nas bancadas. Os jogos não acabam aos 56 minutos, nem aos 70, nem aos 80, nem aos 90. Acabam quando árbitro apita. Até lá a equipa está obrigada a jogar como se estivesse a perder. Caso contrário, dá em derrota. Geralmente justa. Foi o caso do último jogo com Sporting, com o jogo anterior em Paços, e com o Porto. Esta é uma atitude de uma equipa medíocre e que não merece ir à UEFA. Dói-me o coração dizer isto, mas é a mais pura das realidades.
Em segundo lugar, é altura também de ser absolutamente claro. Há jogadores nesta equipa que não têm qualidade para vestir esta camisola. Os muitos milhares de abençoados adeptos estão fartos de mediocridade. Fartos de oscilações incompreensíveis, fartos de sofrer em todos os jogos. Ávidos por troféus. Sou dos que acha que uma equipa tem que o mínimo de estabilidade de um ano para outro. Infelizmente, a estabilidade de que a equipa necessitava este ano não foi tida em conta. Vieram jogadores de qualidade duvidosa, a juntar a outros que há muito deviam ter saído. O Vitória é uma equipa remendada, com um punhado de jogadores de qualidade.
Posto isto, e para bem do futebol do Vitória e da sanidade mental dos adeptos na próxima época, eis os senhores jogadores a quem deveria, a meu ver, ser apontada imediatamente a porta da saída:
Grégory
Luís Filipe
Milhazes
Lionn
Andrezinho (ou joga noutra posição ou sai)
Fajardo
João Alves
Carlitos
Até ao final da época, porque não ir pondo alguns juniores a jogar? O clube nada tem a perder. Pelo que tenho visto, muitos deles farão com certeza melhor figura do que qualquer destes acima citados.
Para a próxima época, e já que se aguarda o melhor exercício financeiro da história do clube, é bom que se invista em jogadores a sério, capazes de dar alegrias. Caso contrário, será sempre a mesma velha e deprimente história.

domingo, 12 de abril de 2009

Mais Uma! Parabéns!

Mais uma conquista para o voleibol do Vitória. É com enorme orgulho e satisfação que vejo o clube a engordar uma bem precisada sala de troféus mesmo que através de modalidades extra-futebol. A festa foi enorme, bem comemorada, plena de emoção, mas com muitos sorrisos no final. É belo aos olhos de qualquer vitoriano ver uma sua equipa ganhar.
Valha-nos o voleibol. É a prova provada do que este clube poderia (deveria) fazer noutras andanças; vulgo noutras modalidades, vulgo futebol. Sem querer de maneira nenhuma misturar as duas relidades, muito menos retirar mérito a quem dá alegrias a este clube, a verdade é que não posso deixar de imaginar o que não seria se estes meravilhosos adeptos pudessem algum dia serem presenteados com uma Taça de Portugal em futebol, ou mesmo - porque não dizê-lo? - com um Campeonato Nacional.
Até lá, viva o voleibol! Por agora, o maior motivo de orgulho deste clube e desta cidade.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Vitória Sport Clube.


Salvo circunstâncias excepcionais, não haverá neste espaço mais análises avulsas a jogos do Vitória SC. Doravante, e se assim se justificar, qualquer assunto relacionado com o melhor clube do mundo será incluído na etiqueta "Futebol". Esta alteração tem a ver com uma sugestão de um amigo que muito prezo, e que decidi aceitar. Este espaço tem outro tipo de prioridades, que não o futebol.
O amor ao emblema da terra, esse, é inquestionável e cada vez maior. Vitória até morrer.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Futebol com Cheiro a Petróleo.


O liberalismo económico estende-se irremediavelmente ao desporto. Há pouco mais de uma semana, o Machester City foi adquirido por um grupo de investimentos árabe. Recorde-se que, em 2007, o mesmo clube havia já sido alvo de compra por parte do antigo e muito controverso primeiro-ministro tailandês, Thaksin Shinawatra. Na altura, surgiram bastantes rumores acerca da verdadeira razão pela qual Shinawatra pretendia adquirir um clube da Primeira Liga Inglesa. Houve quem revelasse que a única razão da compra se devia ao facto de Shinawatra pretender, através de um golpe mediático, desviar as atenções dos processos legais que sob ele recaem no seu país. Seja como for, parece que o “City” está destinado a mudar de mãos com uma regularidade não muito desejável.
Por outras razões que não as de Shinawatra, o Abu Dhabi United Group, assim se faz denominar o grupo pertencente à Abu Dhabi Investment Authority – organização financeira sedeada nos Emirados Árabes Unidos – anuncia a compra da parte do clube (75%) pertencente a Shinawatra, entretanto alvo de um pedido de extradição do governo tailandês. A Abu Dhabi Investment Authority é responsável pela gestão e aplicação dos actuais fundos de riqueza soberana do seu estado. Muitos estados cuja riqueza provinda da exportação de determinado bem tenha subido a níveis para lá do satisfatório, têm optado utilizar essa riqueza para cimentarem a sua presença estratégica no mercado económico internacional, nomeadamente através da participação ou aquisição total de empresas estrangeiras. Esta prática tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos, tendo suscitado alguma atenção por parte de países como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, zelosos quanto ao futuro de algumas das suas empresas mais importantes. No caso do grupo de investimentos que comprou o clube inglês, estamos «somente» perante o maior de todos os que até agora são conhecidos. E a partir do momento em que Shinawatra se mostrou disponível para vender a sua posição maioritária no clube, tudo ficou mais fácil para o grupo de Abu Dhabi dar seguimento a um negócio que se lhe revelou por demais conveniente. Sem precisar de procurar muito, o Manchester City caiu-lhes do céu.
As consequências imediatas para o histórico clube de Manchester são por demais evidentes. Sulaiman Al Fahim, o principal rosto do grupo, foi já peremptório ao anunciar que o “City” será dentro de muito em breve um dos maiores clubes do mundo, senão mesmo o maior. Os novos objectivos do "City" estão a partir de agora em perfeita sintonia com os objectivos do próprio grupo de investimento, ávido por consolidar a sua posição estratégica em vários mercados distintos, designadamente no mercado desportivo. Investir em desporto, e logo no desporto-rei, é colocar-se em frente aos olhos de milhões de pessoas nos quatro cantos do mundo. É fazer com que uma colectividade desportiva geradora de grandes emoções fique aos dispor das veleidades de um grupo de oligarcas árabes, que apesar da inegável habilidade com que gerem os seus negócios, estão desprovidos da sensibilidade que julgo essencial para lidar com a paixão sentida pelas muitas dezenas de aficionados do “City”, unanimemente reconhecidos como os adeptos mais leais de Inglaterra. É claro que o eventual sucesso do clube fará as delícias tanto dos adeptos como dos seus novos donos. A grande questão aqui é que o fará por motivos muito diferentes: aos adeptos interessarão as eventuais conquistas desportivas e o prestígio do clube, ao passo que ao Sr. Sulaiman interessará, para além dos lucros, a renovada influência que Abu Dhabi passa a exercer junto da sociedade civil de uma das cidades mais importantes do Reino Unido, cimentando assim a sua influência na própria sociedade inglesa e, em última instância, nos meandros da alta finança do país.
O mundo futebolístico está portanto perante um novo «monstro» endinheirado, que promete abalar o já de si movimento mercado de transferências no próximo defeso. Endinheirado é pecar por defeito, pois o Manchester City estará nesta altura entre os clubes do mundo com mais capital disponível de facto para comprar jogadores. Al Fahim já avisou que vai tentar contratar os melhores do mundo da modalidade, e eu acredito que o fará. Provas disso têm sido as tentativas de aquisição de Van Nistelrooy ao Real Madrid ou a abordagem por Kaká ao AC Milan, além de muitos outros nomes concretos já revelados por Sulaiman, entre os quais figura o de Cristiano Ronaldo, pelo qual parece disposto a desembolsar uma quantia que a todos deixou boquiabertos. Terá o “City” sucesso num futuro próximo? Ainda é cedo para dizer. Só a reabertura do mercado em Janeiro próximo trará novos dados sobre as reais capacidades negociais do “City”. Mas convém não esquecer o exemplo de Robinho, prontamente contratado ao Real Madrid por bem mais do que o valor inicialmente oferecido pelo também milionário Chelsea. E por falar em Chelsea, torna-se inevitável – dadas as circunstâncias – um termo de comparação entre ambos os clubes. Se o Chelsea, após ser sido adquirido mais ou menos nas mesmas condições em que o foi o “City”, teve o sucesso que teve, porque não conseguirá também o clube de Manchester, ainda por cima com uma muito maior implantação na cidade do que o eterno rival United, almejar sucesso semelhante? Pode e deve, pois tem dimensão para isso. Seja como for, atenção: está aí o clube que a breve trecho muita tinta fará correr. Esperemos, Sr. Sulaiman, que pelos melhores motivos.