segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ballad of a Thin Man (1965).

Ballad of a Thin Man faz parte de Highway 61 Revisited, álbum de 1965 e um dos maiores e mais aclamados registos do compositor/letrista norte-americano. Os meados da década de 60 foram anos em que Dylan se passou definitivamente a assumir como porta-estandarte de uma contra-cultura emergente. Transpondo isto para as suas canções, tal redundava em constante alusões a figuras alegóricas e em composições marcadamente ambíguas. O universo de Dylan era uma mescla de múltiplas influências, e nem todas as mutações verificadas na sua música eram pacificamente aceites e compreendidas pelos fãs.
Ballad of a Thin Man é uma referência a essas incompreensões e a uma certa intolerância demonstrada por certos meios da crítica musical da época, simbolizada por um certo "Mr. Jones". Jones seria, muito provavelmente um desses críticos. Aqui fica uma das suas melhores intrepretações ao vivo desta magnífica canção.


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Alta Velocidade.

Não achei muito ortodoxo ver no meio da revista Visão um panfleto da RAVE (empresa tutelada pelo Governo) a tentar justificar a opção pela Alta Velocidade em Portugal. Além de haver muito boa gente que contradiz os argumentos apresentados pelo Governo, a prática não me parece muito ética. Não se tratando de um esclarecimento imparcial. Tal panfleto afigura-se-me como pura publicidade às opções do Governo, e não presta um esclarecimento cabal e aprofundado à questão.
Insiste-se, em Portugal, num modelo de crescimento económico baseado nas grandes obras públicas - uma ideia velha que o tempo tem provado não ser verdadeira.

domingo, 23 de agosto de 2009

Afrontas Vindas de Dentro.

Escrevo estas linhas profundamente revoltado. Revoltado não só com o resultado do Vitória hoje, mas com aquilo que se passou dentro e fora do campo. Hoje, mais uma vez, o Vitória agachou-se perante um clube de Lisboa a quem nada deve. Uma vez mais, o Vitória deu provas de que não cresce e, pior do que isso, de que parece não querer crescer.
A história, triste para todos os adeptos vitorianos, conta-se em poucas linhas: Agosto; tarde amena e soalheira; primeiro jogo do Campeonato em casa; recepção a um clube que traz muitos adeptos; saudades de futebol. Condições reunidas para um bom e agradável espectáculo, com muita expectativa acerca daquilo que o Vitória pode e deve fazer na época desportiva recentemente começada.
Mas lamentavelmente nada disto aconteceu. Fora das quatro linhas, o Vitória cede duas parcelas das bancadas dos adeptos do Vitória a benfiquistas, para espanto e revolta generalizadas. Para piorar a afronta, foram destinadas as mesmas portas de adeptos aos senhores adeptos benfiquistas, como se do estádio deles se tratasse. Foi a maior vergonha que passei desde que sou associado do Vitória - e já lá vão uns bons anos. Não ao dinheiro a todo o custo, não à subserviência. O vexame só tem um e um único culpado. Esta direcção mais do que ninguém devia saber que as bancadas destinadas aos adeptos do Vitória são exactamente isso: bancadas destinadas aos adeptos do Vitória, e não são para serem vendidas a adeptos adversários a troco de mais uns euros extraordinários, sejam eles quais forem e quantos forem. Pessoalmente, não me importa rigorosamente nada se os benfiquistas à procura de um ingresso para o jogo sejam 5000, 50000, ou meio milhão. Existe uma bancada destinada ao clube visitante, e é essa bancada e não outra(s) que deve ser preenchida com adeptos de fora. Se são mais, temos muita pena, mas não entram.
Dentro das quatro linhas, outro espectáculo lamentável. Pobres daqueles que colocam os seus corações de adepto à mercê de Pedros Proenças e afins, que teimam em fazer de toda uma massa associativa meros berloques perante o poder que lhes é concedido para tomar decisões dentro de campo. Os Pedros Proenças e afins já perderam a vergonha toda. A inclinação do campo, nos dias que correm, já nem sequer é disfarçada. Um penalti para lá de duvidoso, faltas e mais faltas inexistentes e mergulhos em catadupa foram uma constante ao longo de todo o jogo, e acabaram por "oferecer" de bandeja uns imerecidos três pontos ao SLB. E por falar em três pontos, o lance do golo do SLB deve ir para o Watts da Eurosport desta semana. Não fosse eu um vitoriano possuidor de sistema nervoso central, e ter-me-ia rido à gargalhada com a tragicómica representação de Coentrão.
Vitória 0 - 1 Benfica (Marcadores: Pedro Proença 90').

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Dos Think-Tanks.

O modo como são tomadas as decisões políticas ao mais alto nível na União Europeia conta com pouca influência da produção intelectual e científica dos think-tanks europeus. Esta é muito provavelmente uma das maiores carências que afecta a qualidade das mesmas. Por toda a Europa, aquilo que é proposto ou problematizado por um centro de investigação dedicado à área científica das Relações Internacionais e dos Estudos Europeus é amiúde ignorado ou colocado numa gaveta onde permanece por tempo infinito. Isto, claro, se é que alguma vez chega a ser objecto de atenção por parte das entidades oficiais a quem, em última instância, se deveriam supostamente dirigir.
Vêm estas palavras a propósito de um muito oportuno artigo de James Rogers no Ideas on Europe. Ao contrário dos EUA, país onde os think-tanks gozam de influência junto dos policy-makers, na Europa o seu papel é sistematicamente secundarizado. Quem perde é somente a própria União Europeia, a tal entidade sui generis que acertará tanto mais nas suas políticas estratégicas quanto mais escutar e incorporar nas suas decisões a sabedoria e a experiência dos membros deste tipo de organismos. Ainda assim, existe na União Europeia uma tendência marcadamente positiva a este respeito, o que é louvável e de saudar.
Em Portugal, mais concretamente, o melhor será mesmo nem tecer grandes considerações, uma vez que tal prática é praticamente inexistente. Aqui também, muito caminho para percorrer, e por certo muita mentalidade bafienta para mudar.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Александра (2007).


Um dos mais proeminentes cineastas russos da actualidade, Aleksandr Sokurov, apresentou-se em Cannes em 2007 com uma obra no mínimo peculiar, detentora de uma mensagem desdobrável, por via dos sentidos e das interrogações que lhe possam ser atribuídas.
Alexandra Nicolaevna é avó de um oficial russo destacado para a segunda guerra da Chechénia, a quem decide, por ardente necessidade psicológica, visitar. A realidade que lhe aparece diante dos olhos é tudo menos agradável. É um mundo de homens e de miúdos a quem a vida pouco diz, uma espécie de I Vitteloni à maneira russa, com fardas militares. O dia-a-dia é vazio, os olhares são penetrantes, inquisidores, tristes. Alexandra parece não compreender a vida daqueles a quem a pátria apontou o caminho para uma confrangedora solidão nos confins de uma terra onde não são bem-vindos. A espaços, sente-se este desdém hostil entre locais e russos, uma desconfiança mútua, um medo que não cessa de pairar; para além de uma gritante carência de afectividade - essa trágica recordação antiga.
Alexandra é um filme enigmático e artisticamente ambíguo, passível de múltiplas leituras, mas é certamente tudo menos um chavão para a compreensão da душа (alma) russa. Funciona, pelo contrário, como uma pista para os insondáveis desígnios de um país ainda à procura do que pretende e da sua própria identidade.

sábado, 15 de agosto de 2009

Crime e Castigo.


Está finalmente lido. Tarefa cumprida. Propus-me, já há uns tempos (há demasiado talvez) a ler de fio a pavio Crime e Castigo. É preciso respeitar os clássicos, mesmo que a sonolência se torne numa inevitável constante ameaça à missão a nos propusemos: acabar o livro, dê por onde der.
Crime e Castigo é, obviamente, um clássico incontornável da literatura mundial. A história é grandiosa, repleta de episódios simbólicos e de mensagens morais. O drama de Ródion Romanóvich Raskolnikov é um drama psicológico profundo, e aparece como pano de fundo a todo o livro. Poderá um acto vil ser perdoado em prol de algo maior? A justiça deve ser sempre aplicada, mesmo tendo em conta circunstâncias muito especiais? O drama interior de Raskolnikov é tortuoso e chega, em alguns dos seus sonhos e devaneios, a ser aflitivo para o leitor.
Dostóievski tem aqui uma das suas maiores criações da sua fase matura enquanto escritor, e uma das mais emblemáticas. Crime e Castigo, não tendo um enredo rico, explora o interior de um personagem fascinante, na pessoa de um ex-estudante com problemas financeiros, inteligente, culto, prestável, mas com uma hierarquia de valores pouco convencional. Daí o acto de cometer um duplo assassinato em prol de um bem que considerava maior, e daí também o frenesim psicológico que o atormenta e que culmina numa abnegação total e defintiva no regaço de Sónia, a única mulher que amou e a sua salvação.
Está lido. E saboreado. Livros destes fazem-nos bem.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Transformer (1972).


Transformer, o segundo álbum a solo de Lou Reed, produzido por David Bowie e Mick Ronson, atribui outra profundidade ao glam rock, que à data atingia o seu auge. Já depois dos Velvet Underground e do famoso "álbum da banana" de Warhol, Reed tem aqui das maiores marcas da sua carreira.
A colaboração com Bowie, advinda de uma admiração mútua vinda de trás, catapulta Reed para o estrelato definitivo e dá à luz este Transformer, um álbum perfeitamente limado, e que roça a perfeição de forma quase comovente (todavia deixada em Velvet Undergrond & Nico).
Sim, é aqui que se encontram Vicious, Perfect Day, Walk on the Wide Side e Satellite of Love; todas elas pegadas profundas no terreno movediço no qual a música dos anos 70's se movia. As drogas, a ambiguidade sexual, o álcool, a procura do 'eu', a celebração das pequenas rotinas. Transformer acusa de maneira notória a refinação do som de Reed, talvez até em demasia. Talvez a única que lhe possa ser apontado seja precisamente o facto de não estar ali um Lou Reed a 100%. É, no entanto, um registo extraordinário. Todas as faixas são surpreendentes, dançáveis, despreocupadamente 70's. Destaque, além das suprasumo, para I'm So Free e Make Up, esta última um daqueles exemplos onde mais se nota a marca de Bowie.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Simbolismo Zero.

A bandeira da República hasteada nos Paços do Concelho em Lisboa foi retirada e, "durante uma noite e uma manhã houve Monarquia em Portugal".
O acto não faz qualquer sentido. A República atravessa tempos difíceis, isso é incontestável. A crise económica já transbordou para o domínio social há tempo demasiado. As pessoas não estão contentes, mas culpabilizar o regime político do país por esta situação é no mínimo - e para usar um adjectivo suave - questionável.
Trata-se de um acto em que não se sabem quais as reais motivações que estão por detrás do mesmo. Aparece como algo de infundado, aparentemente vazio, vindo do nada. Até mais detalhes, e sem uma justificação plausível, apenas sobressai a deselegância e (precisamente) a "falta de respeito pelas instituições" referida , inclusivamente , pelo blogue.
É, portanto, exactamente isso: uma evidente falta de respeito pelos símbolos nacionais de uma instituição pública democraticamente eleita. Aplaudiria se o blogue 31 da Armada se constituísse em movimento político, expusesse as suas ideias, e se candidatasse às eleições autárquicas; em vez de, habilmente tapados por máscaras de um personagem que nada tem a ver com a C.M. Lisboa, pela calada da noite, arrancasse bandeiras de edifícios públicos.
É, em suma, um mau exemplo de cidadania e um desprezível desrespeito pelo civismo e pelo Estado de direito.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Tart Me Up.


Há alturas em que o que apetece é nada mais do que um simples alheamento das coisas importantes do dia-a-dia, e em que o cérebro parece entrar numa espécie de 'piloto-automático'. É nestas alturas que assistimos impávidos ao desmoronar da hierarquia das nossas prioridades, dos nossos afazeres e passamos a endeusar algo que, mesmo lá no fundo, sabemos ser tão importante para o mundo como a lesão do terceiro guarda-redes do Terek Grozny. No fim, fica-se contente, com um sorriso aparvalhante nos lábios, contente por ainda se poder fazer destas coisas.
Qual grávida com desejos, tenho andado há uns tempos atrás disto. Nos EUA, andava completamente viciado neste pequeno rectângulo abolachado, neste maravilhoso manjar pré-cozinhado com cobertura e recheio dos mais diversos sabores (tanto tempo por terras do tio Sam, tanta coisa por que passei, e só me lembro destas coisas).
Hoje, chegaram-me de Inglaterra. O meu obrigado. E pronto, estou estupidamente contente.

domingo, 9 de agosto de 2009

[On] Fire!

Que os Kasabian são das bandas mais entusiasmantes do momento, já se sabia (vade retro Kaiser Chiefs). Prova disso reside por inteiro no novo álbum, magistral a todos os níveis. Os Kasabian estão para a música como Ibrahimovic está para o futebol: parece fácil. Só que esse 'fácil' advém da sua genialidade e da sua insubmissão.
Ao terceiro registo, os Kasabian estão mais maduros. Ao terceiro álbum, sabem o que querem e para onde vão. Talvez isso tenha sido (a única) falha de Empire. É como se nos perguntassem: o que é que vocês querem de uma banda? Que desejos têm os nossos sensíveis ouvidos? A resposta está em West Ryder Pauper Lunatic Asylum. Sim, eu por mim quero é Kasabian.
Para a rendição definitiva, aqui fica Fire, uma amostra do poder destes rapazes.


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Da Regulação e da Legitimidade na UE.


Os bons ou os maus resultados das políticas públicas europeias poucas vezes são atribuídos a Bruxelas. É notório que são os governos nacionais quem efectivamente mais lucra ou perde com os sucessos e falhanços das políticas europeias. Daí a necessidade de a União Europeia compensar os Estados por eventuais falhas sistémicas do mercado. A responsabilização da União Europeia pelo sucesso ou falhanço das suas políticas públicas é um aspecto que a aproxima daquilo que tradicionalmente é uma função do Estado. À medida que a União Europeia vai assumindo cada vez mais poderes e responsabilidades, torna-se imprescindível que tal transferência de competências seja acompanhada por um reforço da sua legitimidade democrática. Tal exigência é fundamental para a clareza de processos e para a transparência das funções da União Europeia aos olhos do cidadão, que só assim lhe reconhecerá legitimidade para tomar decisões e para aquiescer ao seu acatamento. A função reguladora da União Europeia, como reflexo mais ou menos óbvio e necessário do progressivo aumento das suas competências, só é justificável perante os cidadãos europeus se lhes for garantido uma maior participação no processo. Todavia, e ainda que a sucedânea de tratados tenha vindo a reforçar o seu papel enquanto tal, a verdade é que tal ainda permanece dúbio e o carácter paradoxal do Tratado de Lisboa não ajuda.
A passagem para o estudo da governação reflecte, deste modo, novas explicações para procurar saber qual o verdadeiro tipo de ordem política que actualmente representa a União Europeia. Mais concretamente, estamos perante uma entidade que assumiu um modelo mais aproximado aos cidadãos através da transferência de competências políticas para os centros locais e regionais de poder; uma entidade que procura garantir renovadas doses de democraticidade de modo a garantir que as decisões que toma e as políticas públicas da sua responsabilidade estão munidas da necessária legitimidade; e uma entidade que se tem concentrado em assumir uma das mais importantes funções clássicas do Estado, a regulação.
A meu ver, são estas as novas dinâmicas transnacionais – empiricamente comprovadas – que se destacam dentre os quadros teóricos disponíveis para a explicação do fenómeno comunitário. O caso português tem sido um bom exemplo delas mesmas: o pioneirismo em criar dinâmicas transnacionais de cooperação entre Portugal e Espanha e a manifesta diminuição da presença estatal em vários sectores da economia, verificada desde a adesão às Comunidades em 1986 são disso prova. Portugal tem sido um bom exemplo da ocorrência de lógicas de poder indirecto ou, conforme classificado por Focault, poder “disciplinar”: um poder exercido indirectamente pelos Estados, uma espécie de re-regulação transnacional, que não esconde todavia a erosão do poder dos governos nacionais.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Momentos Para Sempre.


O cinema é uma arte propiciadora de momentos únicos, daqueles que se recorda quando vamos na rua; quando estamos sentados num banco de jardim; quando damos voltas na cama e esperamos que o sono chegue; quando atravessamos uma longa recta na autoestrada; enfim, sempre que à mente se lhe propicie a evasão, e sempre que à evasão corresponda o intrépido e sempre presente instinto de recordar 'aquela' cena, 'aquela frase' ou 'aquela' sequência. Não importa se são momentos de choque, de terror, de comédia, de suspense, de adrenalina, de espanto, de enternecimento, de repúdio, de revolta ou da mais pura satisfação. Importa sim honrar a memória do cinema e dos momentos que, cinéfila e emocionalmente falando, são inesquecíveis pela arte e pelo génio que encerram.
Vale a pena vasculhar o baú, vale a pena perder tempo a perscrutar onde foi que o cinema atingiu o auge da criatividade e da beleza. Faz bem saborear, mesmo estranhando à primeira, o que de melhor trazem os filmes: seja o "Heeeere's Johnny" de Nicholson, o "I love the smell of napalm in the morning", o (primeiro) "Bond, James Bond", ou o tiroteiro na escadaria de Odessa do fabuloso Couraçado Potemkin. Não importam os momentos. O mais importante mesmo é recordar e, com isso, aprender.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Vitória 09/10.


A propósito da apresentação dos novos equipamentos do Vitória, é sempre curioso saber o que deles pensam os estrangeiros visitantes deste site. As reacções não são más no geral, sendo que a maior parte parece gostar da indumentária vitoriana para a época futebolística que se avizinha.
Curioso também é o facto de alguém se mostrar surpreendido por Matthew McConaughey (ou por outras palavras, Jorge Gonçalves) jogar no Vitória. Engraçado.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Efeito Borboleta - Aventura na Quinta.


AVENTURA NA QUINTA 2009 Sábado 25 Julho@Quinta Creixomil, Guimarães
Temperaturas a subir, dias de sol, noites abrasivas.... Corpos a pedir agitação, frescura e aventura. Nada melhor que uma festa divertida... um cenário natural, onde convívio, conforto e cor se fundem com música de vanguarda. Uma festa sem estilo definido, salpicada pelos sons calmos e dançáveis do house, mergulhos nas texturas submersas do minimal, o calor abrasivo do electro, a explosão rítmica do drum n..bass... tudo misturado num cocktail multicolorido e intenso, capaz de libertar até as almas mais tímidas...Bem-vindos à Quinta!!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Incongruências.

Não existe, neste país, uma consciência crítica bem definida acerca da política externa portuguesa, ao contrário do que acontece em países como os EUA, o Reino Unido e até mesmo o Brasil.
Veja-se o caso do apoio directo estrangeiro atribuído pelo Estado português: mais de 50% do apoio directo é concedido a Angola, um dos países mais ricos de África e de longe o mais rico de todos os PALOP. Acontece que Angola é também um dos países com pior desempenho em termos de governance do mundo. Angola só recentemente melhorou um pouco a sua posição no ranking da Transparency.org, e está actualmente na 158ª posição, mesmo assim bem atrás de Moçambique.
Entre 2003 e 2005, Angola recebeu quase 60% do apoio dado por Portugal, enquanto Moçambique, citado apenas como exemplo, que tem mais população e melhores indicadores internacionais, recebeu apenas 5% do total dessa mesma ajuda.
Falta massa crítica para pensar a nossa política externa, faltam plataformas para a sua discussão, falta que a sociedade civil no geral ganhe consciência do rumo e das prioridades que ela assume.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

BPN e Afins.

Os sucessivos casos que nos últimos tempos têm feito correr tinta na imprensa nacional espelham o modo como num país como Portugal a observância de princípios como a igualdade, legalidade, moralidade e justiça estão ainda muito aquém do desejado. Aquilo que parecem palavras ocas, porventura já gastas de tanto nelas se insistir, são hoje mais do que nunca necessárias. Não importa se tal pareça repetitivo, ou até mesmo démodé. Clamar por justiça, por transparência nos actos públicos; seja na administração pública, na banca, nas empresas, é a mesmo coisa que defender a democracia, que defender o poder de todos nós. Sim, esse mesmo, o poder de quem elege.
Vêm estas palavras a propósito do texto de opinião que Mário Crespo escreve hoje no JN, e na qual é peremptório em apontar o dedo a quem teve (e que infelizmente continua a ter) responsabilidades no meio da calamidade que foi o escândalo BPN, mais um no sem-número de casos inacreditáveis que têm vindo à tona, demonstrando a imundície que vai no seio da alta finança em Portugal. Assertivo e recto no que escreve, faço minhas as palavras de MC. Há muito que não lia algo tão escorreito.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Death of a President (2006).


Morte de um Presidente, mockumentary (logo não é Michael Moore) que chocou meia América em finais de 2006, mas que só estreou em Portugal em 2008, mostra o cenário hipotético do assassinato do à data Presidente dos EUA, George W. Bush.
Cenários hipotéticos não são novos em cinema nem nas artes em geral, mas quando a figura central é o presidente dos EUA, os ecos da ideia são redobradamente repercutidos. Morte de um Presidente parece não ter um objectivo concreto e, mesmo do alto do seu despretensiosismo, parece não levar o espectador a nada mais do que a hora e meia de interrogações, que variarão muito consoante a opinião de cada um tenho do hipoteticamente assassinado Presidente.
No seguimento do assassinato no Sheraton de Chicago, o vice Dick Cheney sucede a Bush perante uma América em choque e altamente envolvida na caça ao responsável pelo acto. O que inicialmente parecia estar ligado aos exaltados manifestantes que durante todo o dia e noite mostraram a sua raiva contra a figura de Bush, cedo resvala para Jamal Abu Zikri, um sírio que estivera no Paquistão e que alegadamente recebera treino nos campos da Al-Qaeda no Afeganistão. Após a sua condenação, fortemente influenciada por motivos políticos, dá-se a descoberta do verdadeiro responsável por alvejar mortalmente Bush, um afro-americano veterano da guerra do Golfo, que via a segunda guerra do Iraque como injusta e procurava vingar os danos que a sua família sofrera por causa dela.
Morte de Presidente é um filme parco em ideias, e tremendamente previsível. Aquilo que lhe está subjacente - o preconceito contra os muçulmanos depois do 11 de Setembro - poderia ter sido mostrado de muitas outras formas, qualquer delas provavelmente de uma maneira muito melhor do que através de um mero cenário hipotético, que não leva a muito mais do que a sorrisos maliciosos por parte dos (muitos) opositores e detractores de Bush.
O que seria porventura um exercício arrojado e ambicioso, acaba por redundar num vazio imenso e em algo frágil que não diz muito nem a quem não gosta(va) de Bush nem a quem o apoia(va), já que uns provavelmente não se reverão nas atitudes selváticas dos manifestantes, ao passo que os segundos sentir-se-ão tremendamente ofendidos, como aliás se verificou.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Das Verdadeiras Divisões na UE.


O rumo da UE é, já se sabe, fruto do consenso interestadual e da intersecção de interesses dispersos e não raras vezes sensíveis. A posição dos Estados-membros sobre determinada questão é, não pode deixar de ser, o reflexo de um poder independente e internacionalmente reconhecido, ao qual se dá o nome de soberania. Contudo, o enunciado intergovernamental não chega para explicar a génese e a direcção do processo de integração. A UE não é, hoje em dia, um mero agrupamento de Estados nacionais soberanos. A soberania é, nas relações internacionais contemporâneas, um conceito poroso e bastante mais diluído do que o engendrado por Bodin no longínquo século XVI. Mas o que define realmente o rumo da integração europeia, se o enunciado supranacional também apresenta limitações, desde logo pela dificuldade em justificar, por exemplo, a existência de um segundo pilar?
A explicação pode residir nas divisões históricas que têm como protagonistas os mais poderosos Estados europeus, a França e o Reino Unido.
A primeira tem a ver com uma divisão de natureza económica, entre o ‘laissez-faire’ britânico e o dirigismo francês; divisão esta que, historicamente, espelha o desencontro entre uma visão liberal da economia, aberta ao exterior e baseada nos privados; e uma visão estatocêntrica, baseada na percepção de que a Europa deve estar o mais protegida possível face à concorrência exterior, e que deve ser o sector público o principal promotor do desenvolvimento económico.
A segunda, por seu lado, aparece relacionada com a diferente perspectiva que ambos os países têm (hoje mais esbatida) do processo de formação e de desenvolvimento de uma política externa e de segurança comum. De um lado, a perspectiva eminentemente continentalista de Paris, que lateraliza a OTAN; e uma perspectiva atlanticista encabeçada por Londres, que não anui a uma UE com capacidades autónomas da OTAN, a não ser em cenários onde esta não mantenha a intenção de intervir. A dicotomia franco-britânica relativamente a uma política externa e de segurança está na base da pouca integração europeia nestas áreas (política externa, segurança, e defesa), pelo menos quando levada a termo de comparação com outras onde o processo se encontra num patamar bastante mais dinâmico.
Estas divergências, globalmente consideradas, desembocam numa conclusão sobre a problemática do desequilíbrio do processo de integração, que é de certo modo alternativa à simples (ou simplista) referência ao poder dos Estados e à prevalência do seu interesse nacional. Deste modo, pelas divergências de base entre a França e o Reino Unido se pode depreender que as condicionantes ao processo de integração são extensíveis ao domínio económico e político por via não do desacordo entre todos os Estados da UE, mas pelo desacordo entre dois dos seus membros – tendo ambos tendência para liderar o processo. Como consequência directa deste facto há a destacar a amplamente reconhecida imperfeição do Mercado Interno, bem como as sobejamente conhecidas limitações da UE em ter uma voz política una e assertiva na arena internacional. O Mercado Interno e a política externa são áreas-chave para o sucesso de integração europeia, e é nelas que mais se manifesta o desacordo protagonizado por Paris e Londres, a partir da defesa de princípios de base distintos.
É, pois, nos Estados que servem de veículo transmissor das suas posições que reside o verdadeiro poder de influenciar o processo. Do desequilíbrio de poder entre os Estados-membros resulta um desequilíbrio proporcional no avanço sectorial do processo de integração.
Interessante.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Impasses em Ano Crucial.


Estocolmo assume hoje a Presidência do Conselho da UE. Fá-lo numa altura em que a UE se encontra numa verdadeira encruzilhada institucional, uma espécie de limbo político em que nada se afigura como certo. Incerteza é, neste momento, a palavra que melhor define a hora actual da UE. Até Dezembro, muito ficará decidido. Mas por enquanto o cenário é ainda de incerteza, embora haja assuntos mais incertos do que outros.
Por um lado, há a entrada em funções de um novo Parlamento Europeu, que por si só já acarreta constrangimentos vários, e cuja primeira tarefa será a de se pronunciar sobre o nome do Presidente da Comissão. A Presidência sueca terá de lutar para que isso seja feito já em Julho em vez de no Outono, como é pretendido por alguns.
Por outro lado, a Presidência sueca terá um papel fundamental na continuação dos esforços levados a cabo pela UE com vista à obtenção de um acordo global favorável pós-Kyoto, para o qual a cimeira de Copenhaga em Dezembro poderá desempenhar um papel fundamental. A política ambiental da UE sofreu um revés durante Presidência checa, após o vigor inculcado pela Presidência francesa do último semestre de 2008. A ideia, de reduzir os gases com efeito de estufa no espaço da UE em 20% até 2020, enfraqueceu devido à crise económica e financeira internacional - diga-se, outra das grandes preocupações suecas.
Finalmente, a Presidência terá ainda de contar com a aprovação ainda dúbia do Tratado de Lisboa no referendo irlandês de Outubro que, em caso de rejeição, pode abrir uma nova crise política e institucional no seio dos vinte e sete.
Muito por fazer, muito que esperar. 2009, está confirmado, é definitivamente um ano de transição e de viragem para a UE.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Cidade Paladina da Modernidade.


Ainda dizem que Guimarães não é uma cidade com piada. Que mais pode um transeunte querer durante um passeio do que cruzar-se com duas maravilhas publicitárias, diferentes é certo, mas ambas contendo uma satisfatória dose de comicidade. Honra seja feita aos esforços para tornar Guimarães numa cidade atractiva para quem a visita e, porque não, para nós mesmos vimaranenses.
Nesta cidade há muito talento escondido. Não é toda a gente que consegue socorrer-se de uma figura tão distante como a do Presidente dos Estados Unidos para potenciar o seu negócio; e não é certamente todo o comerciante que é capaz de brincar com a língua inglesa qual Ronaldo com uma bola, de modo a conferir-lhe um tom mais...como dizer? Nacional?
Com talentos desta natureza qualquer passeio se torna uma fantástica experiência. Depois de pérolas como estas, a CEC para nós é uma brincadeira de meninos.