domingo, 24 de janeiro de 2010

O Que Pensa o Urso?


Gigante euroasiático e país de inúmeras e insofismáveis contradições, a Rússia não enveredou por um caminho democrático ou democratizante durante o postulado de Vladimir Putin. Mais do que as contradições e o estigma do enigma que a persegue, a Rússia de Putin demonstrou ao mundo a actualidade da realpolitik e da hard politics. Putin não é Bismarck, mas soube como ninguém tirar partido das potencialidades do seu país, ao mesmo tempo que procurou, pelo menos até 2004, que o Ocidente abrisse à Rússia as portas das suas instituições e a aceitasse como a sua grandeza impunha: um parceiro igual e necessário. Como se sabe, sem sucesso.
O período que a Rússia atravessa é crucial para o seu papel no mundo nas décadas futuras. O país, apesar dos avultados recursos naturais, não detém um sistema político robusto e suficientemente bem entrosado entre os seus diferentes níveis, não apresenta um modelo de desenvolvimento económico a longo prazo que permita enfrentar os desafios que se vão revelando, e quase não tem aliados. Dentro das suas fronteiras, há um problema demográfico e uma união federal em risco.
A médio e a longo prazo, a Rússia terá que harmonizar as suas regras internas e a sua política externa, ainda hoje típica de uma grande potência do século XIX, e não de uma grande potência do século XXI. A interdependência entre os países desenvolvidos é hoje um dado incontornável, e ficar fora desse "jogo" não será opção para um país como a Rússia, cujos devaneios unilateralistas tenderão a acabar num futuro não muito distante.

1 comentário:

Alberto Chaves disse...

Olá João!
em Setembro comprei esse mesmo livro mas na versao original.
se quiseres depois comparas! ;)

abraço