domingo, 13 de dezembro de 2009

Алматы, Казахстан.


Depois de três meses em Oslo, passados mais em trabalho do que em diversão, eis que o regresso a Portugal não se efectuará sem uma viagem ao Cazaquistão. Irei também em trabalho é certo, mas mesmo sabendo de antemão que permanecerei ocupado durante a maior parte dos dias em que lá estarei, não posso deixar de estar ansioso e expectante face a um país tão desconhecido. A incógnita, neste caso, é positiva. Precisamente por não saber ao certo o que esperar de um país nascido a partir da dissolução da URSS, a curiosidade é ainda maior e o entusiasmo também. Almaty, onde me deslocarei, será porventura uma cidade bastante diferente de Astana, a actual capital, decerto mais sovietizada e não tão moderna. Não espero, contudo, que isso seja algo de negativo, pois a tipicidade de Almaty só faz com que seja possível conhecer melhor as idiossincrasias locais. Não sei se será como regressar à URSS, mas assim como mero prognóstico, algo me diz que o Sacha Baron Cohen exagerou um bocadinho. A confirmar.
Estarei, na próxima 3ª feira e durante seis dias, em plena Ásia Central, bem perto da fronteira ocidental da China, num país tão ilustremente desconhecido para o comum dos europeus como os restantes "ãos", seus vizinhos meridionais. O conhecimento teórico do país e a meia-dúzia de estereótipos que tenho na cabeça não são suficientes para amenizar a curiosidade e o exotismo da deslocação. Quando giramos o globo no conforto dos nossos lares, Almaty não será para muitos uma primeira opção de viagem, e para tantos outros nem chega a ser opção nenhuma. Mas a mim, a incógnita faz-me salivar. É para Almaty? Pois sim!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Obamania (III).


Entre Palestina, mudanças climáticas, bases americanas em Vicenza, Irão e anti-globalização, o menu era farto e era só escolher. As causas eram muitas e variadas, e nada como a visita de um Presidente norte-americano para as acicatar. Chato mesmo seria estar-se em frente à entrada principal do hotel onde ficou instalado o Sr. Obama e não ter nada para protestar.
Urgentemente precisado de uma causa, eis que ela miraculosamente vem ter comigo. Depois de vários minutos de heróica dedicação, passados em solitária deambulação por entre uma moldura humana subitamente interessada na minha pessoa, talvez o Dalai Lama um dia me agradeça.

Obamania (II).


Aquele casaco amarelo (nada discreto) é o da senhora primeira-dama, Michelle. Obama também lá está, embora não tão nítido. Nesta altura, a apoteose era já quase total, atingindo o clímax nos momentos imediatamente a seguir, em que o Presidente se voltou para saudar o bom povo norueguês, que tão ansiosa e pacientemente o aguardava. O Escrito na Pedra não perdeu a oportunidade e registou o momento (não muito bem mas registou).

Obamania (I).



Aqui ficam duas provas inequívocas da loucura que invadiu a pacata cidade de Oslo, neste dia 10 de Dezembro. Um dia igual a tantos outros, não fosse a ilustre visita de Barack Obama, e a perturbação ao quotidiano da cidade que ela acarreta. Obama não mexeu com Oslo, Obama acordou a sonolenta Oslo com um balde de água gelada a meio da noite. Cá para mim, a cidade não conhecia tanto rebuliço desde que os alemães nela entraram nos idos de 40. E mesmo assim não sei não.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ian e Rob.



Quem já viu High Fidelity, de Stephen Frears, baseado no romance homónimo de Nick Hornby, recorda-se deste momento como nenhum outro. Ian (Tim Robbins) é o responsável por "roubar" a namorada de longa data de Rob (John Cusack). E esta é a forma como Rob (não) reage às provocações de Ian, a personificação de todas as misérias de Rob. Bem à imagem do filme, esta cena, ainda que desbocadamente cómica, ajuda a perspectivar os problemas sérios das relações humanas e o sempre delicado tema do amor de uma forma leve, desdramatizando-os. É como falar de assuntos sérios a brincar. High Fidelity, para além da fabulosa banda sonora, não é parco em momentos como este. Por isso mesmo, o melhor é apreciar e desfrutar deste delicioso filme do princípio ao fim.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Estocolmo.




A menos de uma hora de avião de Oslo, Estocolmo apresenta-se como uma solução de viagem mais acessível do que muitas regiões da Noruega, que se localizadas noutro país menos afortunado, estariam perigosamente em risco de esquecimento. Tal não acontece é certo, mas isso não torna uma hipotética deslocação às paragens setentrionais do país mais facilitada, já que as poucas horas de luz do dia que Oslo ainda consegue gozar, são um bem ainda mais raro lá em cima. E tendo em conta que a ambição não me deixaria viajar abaixo de Tromsø, creio que, nesta radical época do ano, fiz uma boa escolha ao optar pela bem mais meridional Estocolmo.

E a cidade não desilude, de facto. Estocolmo é uma visita curiosa e não deixa ninguém indiferente ao encontrar-se fragmentada entre pequenas ilhas. Esta divisão não faz Estocolmo parecer tão grande em terra quanto vista de cima. Só assim se pode ter uma ideia da dimensão da cidade, de resto bem maior do que Oslo. Por outro lado, há a diferença arquitectónica, bem patente no estilo dos edifícios históricos. Tal não é de admirar tendo em conta que, nos longos tempos que durou a união política entre os dois países, toda a nobreza - logo, todo o dinheiro - se encontrava na Suécia. Daí que Estocolmo se apresente, se assim se pode dizer, como uma cidade bem mais 'europeia' do que Oslo - ao passo que esta é mais genuinamente 'escandinava', com uma arquitectura e uma disposição urbanística mais sóbria, mais rectilínea e com menos ostentação. O Palácio Real é a prova mais clarividente desta diferença, e não é sequer comparável ao de Oslo, nem em tamanho, nem na ornamentação, nem na riqueza e faustosidade do interior.Diferenças nítidas também ao nível do rush citadino e do volume de trânsito, incomparavelmente maior do que em Oslo. A diferença de dimensão entre as duas cidades nota-se na vida artística e cultural de Estocolmo, com mais centros de arte, moderna e clássica do que Oslo, ainda que o gosto pelas artes seja comum e igualmente praticado por suecos e noruegueses.

Uma última palavra para a cidade velha, Gamla Stan, a mais atractiva de todas as ilhas que compõem a cidade e ponto turístico obrigatório em Estocolmo, especialmente para quem desde o início luta com imperativos de tempo e deixou ainda muito por ver. Tal não espanta, pois 14 ilhas diferentes não se percorrem num par de (meios) dias. Uma vez mais, e tal não me desagrada, ficaram motivos para voltar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

As Palavras de Delors.

"If the European population want to leave a EU for their grandchildren that will be relatively well-off but without real influence on the world stage, that's their responsibility."

Delors, o histórico presidente da Comissão Europeia, faz a crítica inversa de muitos: o Tratado podia ter ido mais longe.

Jacques Delors, aqui.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

On the Beach (1974).


On the Beach, quinto álbum a solo de Neil Young, é ponto de referência na carreira do canadiano. Apesar da influência em grupos de grunge dos anos 90, On the Beach está longe de ser um álbum de desespero. Muito pelo contrário. On the Beach é um álbum de emancipação e transbordante de uma rejuvenescida confiança. A par de Harvest e do esmagador After the Gold Rush, é a grande obra do mestre. Embora menos popular do que estes dois, On the Beach encerra em si uma terrível ambiguidade, sendo que é preciso escutá-lo algumas vezes para nos apercebermos da total genialidade de Young, e da maneira com agarra no folk-rock e faz dele um género que podia levar com o seu nome.
Destaque evidente para For the Turnstiles, porque o mais genuíno, talvez o expoente máximo do registo. Mas é impossível escrever sobre On the Beach sem referir a enigmática Vampire Blues, bem como a canção homónima On the Beach, deslumbrante pela profunda mas alternada melancolia, mais em jeito de libertação do que de comiseração. Por fim, cabe a Ambulance Blues resumir o verdadeiro sentimento por detrás da obra: um lamento esperançado na mudança de hábitos de uma sociedade hipnotizada pelo superficial, abandonada ao poder dos poderosos e aos desvarios colectivos.
On the Beach é uma obra-prima, tardiamente reconhecida mas nem por isso menos divinal, tanto na música como no que a inspira. Speechless.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Os Limites do Novo Cargo.

"...Europe's chief diplomat will also not be allowed to venture beyond strictly defined limits when dealing with day-to-day politics. The high representative may be allowed to speak with the Turkish government about its relations with Iraq, but she will be prohibited from discussing with Ankara the prerequisites for possible EU membership, such as freedom of the press and respecting human rights. In the future, the issue of Turkish membership will still be reserved for the Commission. In the Balkans Mrs. Ashton can talk about everything under the sun -- but will be strictly forbidden from mentioning possible financial aid from Brussels. Everything that has to do with EU enlargement falls under the jurisdiction of the Commission. She will also have to steer clear of key areas such as foreign aid and international trade."

Presseurop, aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Desilusão Completa.


O actual chefe do governo belga e a commissária europeia do comércio foram hoje escolhidos, respectivamente, para os recém-criados postos de presidente permanente do Conselho Europeu e de Alto Representante da UE para a Política Externa e Política de Segurança. Herman Van Rompuy e Catherine Ashton são dois rostos que representam nada mais do que um consenso absurdamente minimalista e que não favorece em nada o que se pretendia da União Europeia num momento histórico como poucos desde a assinatura dos tratados de Roma.
O primeiro-ministro belga cessante é conhecido pelo seu estilo low-profile, e apresenta-se como uma figura pouco carismática e desconhecida. O seu papel, como de algum tempo para cá se vinha a suspeitar, será mais institucional do que pró-activo.
Mas se a nomeação de Van Rompuy ainda é justificável à luz do quadro de competências que lhe está atribuído, o pior é mesmo a nomeação da Sra. Ashton: sem qualquer tipo de experiência reconhecida em termos de diplomacia, sem nunca ter ocupado um posto ministerial, e com um background pessoal totalmente diferente do expectável para ocupar um posto daquela envergadura. Apesar de representar um grande país, não terá a presença forte nem o peso político de nomes como Tony Blair, David Miliband ou de um Martti Ahtisaari, este último de longe a melhor escolha.
Ahtisaari representava, em termos pessoais, tudo aquilo que UE pretende ser na arena internacional: uma comunidade política exportadora de valores e de princípios de boa governação e direitos humanos, apologista dos compromissos multilaterais e do respeito pelo Direito Internacional. Era uma personalidade com carisma, muitíssimo experiente, com reconhecidos dotes diplomáticos (na boa tradição nórdica), respeitado internacionalmente pelo seu percurso como enviado especial da ONU às negociações para o estatuto final do Kosovo, pelo importante papel desempenhado na resolução de vários conflitos por todo o mundo, e prémio Nobel da Paz em 2008.
Gorou-se, como muitos analistas acreditam, um momento de excepção para uma definitiva consolidação e expansão do papel da UE nos assuntos internacionais. O Tratado de Lisboa é um passo demasiado aprofundado na integração, e talvez por isso muitos governos não arriscaram em mais mudanças de fundo. É muita mudança para tão pouco tempo. Pena é estarem muitas capitais por esse mundo fora a rir à gargalhada. Não é para menos. Se eu estivesse no Kremlin também me ria. De alívio. Mas ria.

sábado, 14 de novembro de 2009

Senhoras e Senhores: o Flåmsbana.




Digerida a passagem por alguns dos sítios mais belos que já presenciei "in loco", chega a altura de escrever mais algumas palavras sobre as maravilhas da região de Vestlandet - literalmente 'terra do Oeste'.
Desta vez para aferir um pouco mais sobre uma das mais idílicas linhas férreas do mundo, a linha de cerca de 20km de extensão que liga as pequenas localidades de Flåm e de Myrdal. Trata-se de uma pequena linha férrea com ligação directa à linha principal Oslo-Bergen, mas que em tão curta distância é capaz de proporcionar momentos não menos inesquecíveis. Em apenas 20km, a linha férrea sobe continuamente entre montanhas e vales em ziguezague, desde o nível do mar até atingir ao longo do percurso os perto de 900 metros de altitude.
O Flåmsbana - assim se chama a nossa simpática composição - torna-se no guia que transporta o mais desprevenido dos visitantes a uma visita guiada com vista privilegiada sobre o recorte natural da região, uma maneira fantástica de absorver por completo o lugar onde nos encontramos. Absorver a beleza indescritível da viagem não é fácil, tal como não é fácil libertarmo-nos do torpor embevecido depois desta terminar, já em Myrdal, a uns muito respeitosos 866,7 metros, e encurralados por deslumbrantes montanhas onde o branco impera.
Menos não seria de esperar de uma linha férrea constante do restrito lote das 25 mais belas do mundo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ideias.

Só para reforçar a idea do post anterior:

"Os Estados Unidos lidarão connosco de acordo com aquilo que formos. Ver-nos-ão como uma Europa dividida e virar-se-ão cada vez mais para as grandes potências que contam no mundo. Apostarão cada vez mais num G2 com a China, ou no G20. Mas não num G3, em que a Europa funcionaria como um parceiro igual aos EUA e à China.
É por isso que insisto tanto em que temos de aproveitar este momento histórico para construir uma Europa forte, que fale a uma só voz na cena mundial e que seja capaz de defender os seus próprios interesses."


Timothy Garton Ash

Público, aqui.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ainda há Muros 20 Anos Depois.



Para a geração da qual faço parte, o Muro de Berlim vem apenas nos livros de História. Muitos de nós nao se recordarão daquele dia 9 de Novembro de 1989, demasiado novos para nos apercebermos da importância do momento. Para as gerações mais velhas, que o puderam viver e saborear, o sentimento será outro. Para os povos da Europa central e de leste, mais do que para qualquer cidadão de um estado europeu periférico, a queda do Muro é um momento sem precedentes na História.
1989 foi o ano de todas as transformações, de todas as revoluções. O derrube do Muro significava nada menos do que o advento de uma nova ordem mundial, erigida sobre as ruínas de um gigante com pés de barro, o cadáver mumificado que Moscovo mantinha vivo a custos insuportáveis. A concretização do grito de Reagan demorou menos de nada.
Para a Europa, era o início de uma nova era. O precipitar dos acontecimentos na Europa de leste foram protagonizados por povos esclarecidos o suficiente para saberem que não mais os muros e as fronteiras de um continente poderiam continuar agrilhoadas à mercê de um qualquer politburo de uma capital estrangeira. Os acontecimentos da fronteira austro-húngara e da Polónia foram determinantes para a queda do Muro e, logo, para a reunificação da Alemanha e da Europa. Acreditava-se que a vontade estava do outro lado, e estava mesmo.
O Muro abriu caminho a uma renovada construção europeia, fez acelerar o processo de uma forma que nem os líderes mais optimistas previram. Abriu espaço a um período de fé e de esperança no futuro, que Maastricht materializou. Abriu também caminho ao alargamento, esse novo desígnio que conduziu as prioridades de Bruxelas durante os 15 anos seguintes e que ainda perdura, apesar de a etapa principal estar completa.
No entanto, 20 anos volvidos, ainda há muros nesta Europa. Cedo os Balcãs fizeram a Europa descer a terra, relembrando-lhe as suas muitas fraquezas e fragilidades. Recomposta, depois de corrigidos alguns erros e reconquistada a paz, falta estender a pacificação completa à região, de onde – felizmente porque é bom sinal – virão alguns dos próximos membros deste clube. Muros ainda perduram, mais a leste: entre outros, Lukashenko ainda é Presidente e a revigorada tenaz russa ainda prende os movimentos de Kiev.
Duas décadas depois de caído o Muro da Vergonha, é preciso olhar para trás e ver o que foi conquistado e o que ficou por fazer. Mais do que nunca, a Europa precisa de união e de ter dois motores a funcionar em simultâneo: um económico e um político. Cada um deles não faz sentido por si só. O grande desafio para os anos que se avizinham, agora que Lisboa vai entrar em vigor, está em provar a todo um continente que isto é possível. Haja a abertura de espírito necessária para esperar o melhor desta Europa unida. Lembremos 89 e derrubemos também esse Muro.

sábado, 7 de novembro de 2009

1-0 do Nosso Contentamento.

E já está! Aqui está a prova do que o Vitória pode fazer com atitude e com garra. O Braga cai onde menos queria: em Guimarães!! Noite de merecida alegria para todos os vitorianos, há tempo demasiado precisados de um bálsamo destes. Ganhar ao Braga é como juntar conhaque e trabalho: sua-se e sofre-se desalmadamente, mas é de um prazer divinal...
O festejo do golo foi um profundo desabafo colectivo após as semanas conturbadas que o clube tem vivido. Um festejo monstruoso só ao alcançe dos melhores adeptos do mundo e, mesmo à distância, tão familiar.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Filhos do Rei Não Mostram Medo!

Longe de Guimarães, dou por mim a reflectir um sem-número de vezes na vontade que tenho em estar no estádio amanhã, dia em que o Vitória disputa um dos mais interessantes jogos da época. Não posso naturalmente, mas vou torcer avidamente à distância, sabendo de antemão que vou ter o coração a bater duplamente depressa durante 90 minutos.
Já na ânsia pelo desafio, reflicto naqueles bons velhos anos em que ficar à frente do Braga era absolutamente banal, um dado quase adquirido, poucas vezes interrompido. Lembro-me, ao longo dos idos de 90, de não se falar em rivalidade como se fala hoje. O mundo vitoriano, rotinado a vencer o rival, bocejava quando o assunto era jogar com ele. Lembro-me de não ser conversa recorrente a comparação entre os dois clubes, pois tal era simplesmente disparatado, tal a diferença de dimensão. O Braga era confortavelmente relegado para segundo plano pelos vitorianos, sempre confiantes no triunfo.
Ganhar ao Braga era rotineiro, uma tarefa enfadonha cumprida com dever de missão - uma terapia sazonal para os vitorianos. Ganhar ao Braga era um desporto municipal; o mestre a ensinar ao aprendiz como se faz, com repetidas demonstrações de pura grandeza. O Vitória ganhava ao Braga porque, como acontece na Mãe Natureza, o mais forte dita a lei e sobrepõe-se ao mais fraco. Saudosos tempos em que o Vitória fazia de Astérix, esmurrando consecutivamente os de Bracara Augusta, com arraiais sistemáticos de golos, para nosso deleite e para resignação alheia.
Agora pergunto: e hoje? Que se passa com um clube que recebe o Braga e parece encolher-se, amedrontado, fugidio face ao vizinho que sempre lhe foi, e continua a ser, inferior? Inferior em adeptos, inferior no fervor clubístico, inferior no historial, inferior no simbolismo, inferior na paixão e na união? Que receio se pode ter face a um clube inferior a todos os níveis? O Vitória nunca, mas nunca se pode acanhar contra o Braga, sob pena de perder o estatuto que detém actualmente perante o panorama futebolístico português e perante o próprio país, de resto seu por direito.
Mesmo em crise directiva - mais do que directiva, estrutural - o Vitória como instituição, como clube de dimensão incomparavelmente superior, não pode nunca recear um clube como o Braga. É nestes momentos, ainda que cirúrgicos, que o Vitória tem de relembrar ao seu vizinho rebelde quem é maior. Tem de se agigantar com naturalidade, dando vazão ao estipulado pela Mãe Natureza: os mais fortes vencem naturalmente os mais fracos.
Vamos cumprir a nossa função! Lembrai-vos de quem ostenta o Rei na camisola! A eles Vitória, sem tréguas! Viva Guimarães!! Viva o nosso Vitória!!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ida e Volta ao Paraíso.


Não faltam momentos ao comum dos mortais em que a crença nas coisas boas e bonitas deste mundo se parecem afundar num mar de dúvidas, de ansiedade despropositada e, acima de tudo, de falta de fé e de vontade de sorrir. Afundados nas nossas modestíssimas vidas quotidianas, agrilhoados a coisas não raras vezes superficiais, laterais, à procura de um qualquer bem maior que nos faça feliz, sem realmente saber exactamente qual, o quê, ou quem.
Só por estes dias tive a certeza de que a felicidade pura e embevecida só pode ser proporcionada pelo contacto com a perfeição. Perfeição, conceito inerentemente avesso à presença humana, só pode ser proporcionado pelo contacto com um lugar que parece permanecer fora do mundo e das coisas terrenas, acima da iniquidade e da perfídia dos Homens, bem junto de algo que não somos capazes de entender.
O contacto com os fiordes levou-me, durante algumas benditas horas, a estado de letargia emocional, a uma espécie de nirvana onde nada mais existia senão as majestosas montanhas, as árvores, a água. Esmagado pela beleza natural circundante, senti estar perante algo de divino, de incompreensível. Como se olhar extasiado para uma paisagem tocada por Deus nos fizesse estar mais próximos da verdade, mas ao mesmo tempo, longe como sempre.
Durante algumas horas, sei que estive preso a um sentimento chamado felicidade, não àquela felicidade de todos os dias, mas a um preenchimento de todos os cantos da alma por esse sentimento que, bem vistas as coisas, é a única razão pela qual habitamos esta Terra.
Durante algumas horas, fiquei com a certeza de que o verdadeiro mundo é aquele, não é o nosso. Durante algumas horas, não fiz parte dele.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"Ursos em Monociclos!"

Nunca viu a face amigável do actual Pres...perdão Primeiro-Ministro russo? Mais uma tirada das mentes geniais por detrás de Family Guy. É delirante ver o desbocado humor da famosa série norte-americana retratar alguém como V.V.Putin:


domingo, 25 de outubro de 2009

Who Else But Jack White??


Muitos foram os discos que marcaram os anos 00. A década foi pródiga no aparecimento de novas bandas e intérpretes, e foi também a da afirmação definitiva de outras que já vinham de trás. Arctic Monkeys, The Strokes, Arcade Fire, Franz Ferdinand ou Fleet Foxes partilharam a década com nomes de créditos já firmados como Bruce Springsteen, Rolling Stones, Bob Dylan, Neil Young, Beck - para citar, como é óbvio, apenas alguns. Foi uma década particularmente produtiva em termos musicais, um desfile de qualidade e quantidade assinaláveis, renovação q.b., e muitas (agradáveis) novidades e projectos novos.
Não é fácil, pois, destacar que banda ou que artista em particular merece levar para casa o galardão de "melhor da década". Este tipo de escolhas são sempre relativas, embora vá sendo possível chegar a um consenso mínimo quanto a um grupo muito restrito de potenciais candidatos. No entanto, a britânica Uncut chegou-se à frente e, na sua edição de Novembro, arrisca o nome de quem no seu entender é o "melhor da década". Pomposamente, a resposta sai pronta e sem ambiguidades: o homem da década musical é Jack White, a mente genial por detrás dos The White Stripes e, mais recentemente, dos The Racounteurs e dos The Dead Weather.
Nenhum outro músico marcou mais a década. Não há álbum em que White esteja metido que não figure em tudo quanto é tabela dos melhores. Ninguém como ele conseguiu dar à luz tanto clássico instantâneo como ele nos últimos tempos, fruto de uma devoção cega ao blues, tão bem transportado para o poeirento rock de garagem de Detroit. White é o último símbolo da pureza do rock, e a distinção não poderia estar melhor entregue.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Førlandsås.

Alguém quer propor este miúdo ao Vitória?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Falácias.

Já vem um pouco tarde é certo, mas só hoje li esta observação sobre a posição que certos políticos tomam em altura de eleições. Pode ser um exemplo lateral e pouco mediatizado, muito menos pela questão que é, mas nem por isso menos demonstrativo da desonestidade e da hipocrisia de alguns deles. Esta senhora deixa, de facto, muito a desejar.

sábado, 17 de outubro de 2009

Sweet Virginia (1972).

Sweet Virginia é uma jóia da década de 70. Incluída em Exile on Main Street, é tida como uma das mais belas e desconcertantes canções rock de sempre. Sweet Virginia é uma das maiores homenagens que o rock alguma vez prestou ao blues (e já prestou muitas). Como bom filho à casa torna, os Stones chegaram-se descaradamente à frente para compor um nobre gesto de gratidão, uma carta de amor eterno à música de onde emanam toda a sonoridades e todos os géneros musicais do século XX.
Sweet Virginia, deliciosamente clássica, provoca calafrios. Senhoras e senhores, os Rolling Stones:


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Medindo Ideologias.

O Bússola Eleitoral coloca-me numa espécie de no man's land entre o Movimento Esperança Portugal e o Movimento Mérito e Sociedade. O que significa que sou razoavelmente de direita e razoavelmente libertário-cosmopolita. Mas não fossem as perguntas dedicadas à integração europeia, então nesse caso já seria muito ligeiramente tradicional-nacionalista. Sendo assim, e como todo o bom português que se situa entre o MEP e o MMS, só posso votar PSD. Ou então não.
P.S.: E não estou nada longe do Partido Democrático Atlântico, além de que nas questões económicas e financeiras as minhas posições coincidem praticamente com as do...Partido da Terra. Será Possível?! Parece que sou um objecto político não-identificado. A única conclusão que posso tirar disto é que o facto de não ter podido votar este ano nas legislativas foi bom para o país e um alívio para mim.

"El Loco": Esse Gandhi.

Se o Comité Nobel tivesse decidido a atribuição do prémio apenas 48 horas mais tarde, não teria melhor individualidade para premiar do que Martín Palermo. Sim, esse nada ortodoxo futebolista que no passado dia 10 evitou uma desobediência civil em larga escala em Buenos Aires, além de um número significativo de suicídios. É por causa de momentos destes que o futebol é o desporto-rei. São momentos como este que a espaços vão provando que o futebol é muito mais do que uma bola pontapeada durante hora e meia por 22 homens em calções. É muito, mas mesmo muito mais do que isso. E Palermo - ou "El Loco" - é o último "cientista" a provar a veracidade disso mesmo, para gáudio apoteótico de uma nação inteira, ela mesma, "loca".
Mesmo sem ser grande fã da figura de Maradona (não sou), confesso que Mundial sem a tradicional Argentina é como os Beatles sem o Ringo Starr: pode não ser o mais importante, mas tem de lá estar. Agora sim, temos Mundial.
Só falta mesmo Portugal dizer "presente".

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Gritty Shaker (1996).

As passeatas de final de tarde pelas ruas Oslo começam a dar frutos. Não que até agora não tenha prestado a devida atenção à cidade e àquilo que ela tem de melhor. No entanto, só hoje fui capaz de nela descobrir um pequeno grande achado: em plena Akersgate, bem perto do sítio onde trabalho, situa-se uma loja de música e filmes em segunda mão como eu nunca vi na minha vida. Daqui por diante o melhor será mesmo evitá-la, para não cair em tentações desmedidas.
Todavia, e como somos todos filhos de Deus, não pude deixar de deitar a mão a Let's Get Killed de David Holmes, talvez o único DJ que sou capaz de ouvir com atenção.
Chamado por Steven Soderbergh para participar na BSO da estrondosa trilogia Ocean's, Holmes não desapontou e rubricou um trabalho assinalável. Senhor de uma mestria e de uma criatividade sonora invejáveis, Holmes é também autor de uma discografia considerável que vale bem a pena descobrir para todos aqueles que queiram dar uma oportunidade à música electrónica. Pessoalmente, não sou nem de perto grande apreciador do género; mas o mesmo já não posso dizer da obra deste norte-irlandês, a qual aprecio e não é pouco.
Aqui fica Gritty Shaker, ponto alto de Let's Get Killed e de Ocean's Eleven.

P.S.: Se atentarmos em Slashers Revenge, verificamos quem é o pai e a mãe do projecto Gorillaz.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Marge XXX.


Depois de Homer Simpson ter tido honras de primeira página na Esquire espanhola, e a vez da sua esposa Marge ter a mesma oportunidade. Só que Marge, como se pode ver, nao fez a coisa por menos e despiu-se para a Playboy americana. O resultado, a apreciar somente pela capa, está fantástico, nada menos do que um apetitoso piscar de olhos para qualquer fa da série. Inovadora, original e ousada, a histórica publicacao está de parabéns pela ideia - nos dias que correm tao útil para contornar a acentuada crise que atravessa.

Prémio Nobel da Paz 2009.


O comité especial nomeado pelo Parlamento noruegues acaba de atribuir o Prémio Nobel da Paz deste ano a...Barack Obama. Uma surpresa para muitos, e uma decisao que vai por certo dar azo para bastante reflexao. Quanto a mim, Obama e Prémio Nobel simplesmente por nao ser George W. Bush. Em pouco de mais de meio ano, nao ser Bush e, de facto, já uma vitória.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Oslo Pela Objectiva (I).








À entrada para a terceira semana por terras escandinavas, é altura de deixar aqui algumas fotografias de alguns dos mais emblemáticos edifícios da capital norueguesa. São eles, respectivamente o Nobel Peace Center, o Teatro Nacional, o Stortinget (Parlamento), o City Hall, e (lá ao fundo) a fortaleza de Akershus. Contrariamente ao que imediatamente se possa julgar, não é neste último edifício que ocorre a cerimónia anual de entrega do Nobel da Paz. Essa dá-se, em Dezembro, no City Hall, localizado a apenas escassos metros do mesmo. De resto, todos estes edifícios estão bastante próximos entre si e, juntamente com o Palácio Real e com a moderna zona comercial e habitacional de Aker Brygge, perfazem os maiores locais de interesse da baixa de Oslo. Mais seguirão.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Primeiras Grandes Impressoes.

Os dias finalmente assentaram. Oslo merece alguma paciencia, visto que, mesmo que as coisas nao parecam bem encaminhadas no inicio, a cidade acaba por compensar-nos com a sua organizacao, com a sua quietude e com a sua indiscutivel beleza. Oslo, para alem da qualidade de vida evidente, tem zonas realmente apreciaveis. Desde a majestosa Karl Johanns Gate que desemboca nos bonitos jardins do Palacio Real, passando pelo Parque Frogner, ate a esplendorosa vista da fortaleza Akershus para o cais da cidade, Oslo e uma cidade onde apetece viver.
A qualidade de vida na cidade nao e somente fruto das boas acessibilidades ou da sua beleza natural. Oslo e um sitio aprazivel para se viver porque e uma cidade despoluida, no sentido mais abrangente da palavra: a qualidade do ar e da agua sao fantasticas; o "rush" citadino e doseado e fragmentado, mesmo nas arterias principais; e praticamente nao existem engarrafamentos. Tudo isto numa cidade com uma populacao total de mais de 800 mil habitantes. Um exemplo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Uma Casinha Se Faz Favor.

E ao terceiro dia as coisas ainda nao estao compostas. Oslo acarreta uma dificuldade quase biblica em arranjar um quartinho, um pequeno e insignificante poiso para pouco mais que pernoitar e proporcionar aos neuronios um merecido repouso no final do dia. Mas, inesperadamente, apos tres dias de intensa procura, a verdade e que je me custa falar com irredutiveis noruegueses que exigem nada menos do que um ano de permanencia nos seus lares.
Hoje (so hoje) tenho mais de dez contactos em cima da mesa e ja deitei fora outros tantos. Para nao falar no dia de ontem e de anteontem. E pronto, pobre do portuguesinho que vem para ca! Mais facil seria arranjar um quarto na Lua.

P.S.: A falta de acentos sera uma constante a partir de agora. O meu teclado tem o alfabeto cirilico mas nao tem acentos, tao necessarios para escrever em portugues.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

De Partida.


O autor deste blogue é, pode-se assim dizer, um homem com sorte. Momentânea ou não, este intermitente escriba vai mergulhar, daqui por não muito mais de 24 curtas horas, em mais uma aventura da sua vida. Quis o destino - essa palavra de que tanto gostamos - que Oslo fosse a cidade que, durante as próximas 12 semanas, me acolhesse. Mesmo desconhecendo as características da hospitalidade norueguesa, conto em ser bem recebido. Perante a incógnita, só tenho a garantir o melhor de mim, a minha abertura de espírito e, sobretudo, a infindável vontade de aprender. Se assim não fosse, a calma do lar e a pacatez da nossa querida cidade seriam uma resposta bastante mais apropriada.
Todavia, não sou assim. Cresci com a ânsia de conhecer o mundo, fascinado pela sua diferença, pela riqueza das suas múltiplas culturas e hábitos de vida. É uma coisa de puto, que sempre senti, talvez banal; mas nem por isso menos pessoal. É com satisfação que parto, ávido por uma nova integração num ambiente distinto, ciente de que sempre que saímos além-fronteiras levamos connosco o sítio de onde vimos, e dele somos e seremos sempre seus representantes.

A partir de 22 de Setembro, este blogue será actualizado tanto quanto possível a partir de Oslo, Noruega.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Fly Farm Blues (2009).

Depois dos recém-formados Dead Weather, eis que Jack White volta a surpreender. Fly Farm Blues marca a estreia a solo deste autêntico "midas" da guitarra. Mais uma cartada genuinamente arrebatadora, com cheirinho a Nashville. White prova mais uma vez que, para além da sua génese camaleónica, é um artista com uma capacidade criativa invejável e mostra que é, sem qualquer dúvida, um autêntico predestinado. Já não se fazem muitos como ele.


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Evento Efeito Borboleta.


TÚnel'09
"EB, a célula mutante"
Efeito Borboleta é a célula cultural que reproduz a comunicação, muta os virus e amplia a propagação. 12 de Setembro marca o início da infecção. O coração bate e o sangue flui através do seu principal canal de transmissão: TÚNEL.

Elevado risco de contágio de 5 diferentes tipos de vírus: Música/Imagem/Tecnologia/Pessoas/ConhecimentoE tu, contaminas (-te)?

http://www.myspace.com/efeitoborboleta
http://www.myspace.com/ridept
http://www.myspace.com/djovelhanegra
http://www.myspace.com/djsparkdf
http://www.myspace.com/lawfirmdnb
http://www.myspace.com/simulatedsystems

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Inglorious Basterds.


O muito aguardado regresso do aclamado realizador norte-americano fez-se pela porta pequena. Tarantino, esforçadamente, chama a si as ferramentas que tantos sucessos lhe deram, para desta feita se resumirem a um ou outro pico de adrenalina, a uma ou outra tirada, a um ou outro momento mais bem conseguido.
Inglorious Basterds não é um filme sobre os "Basterds". Ao contrário dos seus anteriores registos, as personagens participam pouco no filme, com a excepão total do Coronel Hans Landa - magnificamente interpretado por Cristoph Waltz. Pitt tenta fazer de Lee Marvin, mas não consegue. Eli Roth não foi feito para fazer de mau, para não falar de Daniel Brühl, nada menos do que um clamoroso erro de casting. Shosanna (Mélanie Laurent) é, a par de Waltz, o melhor do filme; uma espécie de "Uma Thurmanzinha" em ebulição, com a desvantagem de a fazer lembrar e de ser impossível evitar comparações. O mesmo acontece com Pitt.
Basterds acaba por se perder nas influências a que vai beber e acaba, por isso mesmo, por ser um filme inconsequente. Não é fraco, mas é o pior Tarantino da carreira, pois é um filme sobre filmes. Faltam diálogos delirantes, faltam momentos em que sobressaia a banda sonora, e falta, acima de tudo, o seu típico humor. Cortar escalpes a nazis e dizimar altas patentes numa sala de cinema trancada é engraçado, mas não chega para mais de duas horas de Tarantino.
Apesar de ser um entretenimento garantido, Inglorious Basterds traz algo que desconhecia a um filme de Tarantino - não tem a arte e o engenho para ser fabulosamente surpreendente, que é precisamente a maior característica do realizador e aquilo que não lhe tem falhado em nenhum dos seus anteriores filmes. Mas em Basterds, até isso faltou.
Tarantino disse que Waltz veio salvar o seu filme. Salvou mesmo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

70 Anos da Segunda Guerra Mundial.

Há exactamente sete décadas, os exércitos alemães irrompiam pelas planícies da Polónia, dando início à maior catástrofe humanitária até hoje. Às 4h45 locais, o navio alemão Schleswig-Holstein começou a disparar contra a cidade livre de Danzig, ao mesmo tempo que a poderosa Wehrmacht dava início às suas operações pelo norte, centro e sul do país. A Polónia e o seu povo, conforme os anos anteriores faziam antever, tornavam-se na primeira vítima da guerra.
Aos acontecimentos do dia 1 seguiu-se uma heróica resistência polaca e duas declarações de guerra, a da França e a da Inglaterra. O resto é História, e vem nos livros. O que não vem nos livros, isso sim, são as marcas que o conflito deixou na memória dos povos que nela lutaram. Feridas profundas que o resto do século XX não sarou. O ódio e a intolerância perduram intactos não só na Europa, mas um pouco por todo o mundo.
Em tempos de depressão económica e social generalizada, torna-se necessário recordar este dia negro na História da Humanidade, o dia em que o Inferno desceu à Terra - para que um tal dia seja doravante evitado a todo o custo.

1 de Setembro de 1939.

Foi há 70 anos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ballad of a Thin Man (1965).

Ballad of a Thin Man faz parte de Highway 61 Revisited, álbum de 1965 e um dos maiores e mais aclamados registos do compositor/letrista norte-americano. Os meados da década de 60 foram anos em que Dylan se passou definitivamente a assumir como porta-estandarte de uma contra-cultura emergente. Transpondo isto para as suas canções, tal redundava em constante alusões a figuras alegóricas e em composições marcadamente ambíguas. O universo de Dylan era uma mescla de múltiplas influências, e nem todas as mutações verificadas na sua música eram pacificamente aceites e compreendidas pelos fãs.
Ballad of a Thin Man é uma referência a essas incompreensões e a uma certa intolerância demonstrada por certos meios da crítica musical da época, simbolizada por um certo "Mr. Jones". Jones seria, muito provavelmente um desses críticos. Aqui fica uma das suas melhores intrepretações ao vivo desta magnífica canção.


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Alta Velocidade.

Não achei muito ortodoxo ver no meio da revista Visão um panfleto da RAVE (empresa tutelada pelo Governo) a tentar justificar a opção pela Alta Velocidade em Portugal. Além de haver muito boa gente que contradiz os argumentos apresentados pelo Governo, a prática não me parece muito ética. Não se tratando de um esclarecimento imparcial. Tal panfleto afigura-se-me como pura publicidade às opções do Governo, e não presta um esclarecimento cabal e aprofundado à questão.
Insiste-se, em Portugal, num modelo de crescimento económico baseado nas grandes obras públicas - uma ideia velha que o tempo tem provado não ser verdadeira.

domingo, 23 de agosto de 2009

Afrontas Vindas de Dentro.

Escrevo estas linhas profundamente revoltado. Revoltado não só com o resultado do Vitória hoje, mas com aquilo que se passou dentro e fora do campo. Hoje, mais uma vez, o Vitória agachou-se perante um clube de Lisboa a quem nada deve. Uma vez mais, o Vitória deu provas de que não cresce e, pior do que isso, de que parece não querer crescer.
A história, triste para todos os adeptos vitorianos, conta-se em poucas linhas: Agosto; tarde amena e soalheira; primeiro jogo do Campeonato em casa; recepção a um clube que traz muitos adeptos; saudades de futebol. Condições reunidas para um bom e agradável espectáculo, com muita expectativa acerca daquilo que o Vitória pode e deve fazer na época desportiva recentemente começada.
Mas lamentavelmente nada disto aconteceu. Fora das quatro linhas, o Vitória cede duas parcelas das bancadas dos adeptos do Vitória a benfiquistas, para espanto e revolta generalizadas. Para piorar a afronta, foram destinadas as mesmas portas de adeptos aos senhores adeptos benfiquistas, como se do estádio deles se tratasse. Foi a maior vergonha que passei desde que sou associado do Vitória - e já lá vão uns bons anos. Não ao dinheiro a todo o custo, não à subserviência. O vexame só tem um e um único culpado. Esta direcção mais do que ninguém devia saber que as bancadas destinadas aos adeptos do Vitória são exactamente isso: bancadas destinadas aos adeptos do Vitória, e não são para serem vendidas a adeptos adversários a troco de mais uns euros extraordinários, sejam eles quais forem e quantos forem. Pessoalmente, não me importa rigorosamente nada se os benfiquistas à procura de um ingresso para o jogo sejam 5000, 50000, ou meio milhão. Existe uma bancada destinada ao clube visitante, e é essa bancada e não outra(s) que deve ser preenchida com adeptos de fora. Se são mais, temos muita pena, mas não entram.
Dentro das quatro linhas, outro espectáculo lamentável. Pobres daqueles que colocam os seus corações de adepto à mercê de Pedros Proenças e afins, que teimam em fazer de toda uma massa associativa meros berloques perante o poder que lhes é concedido para tomar decisões dentro de campo. Os Pedros Proenças e afins já perderam a vergonha toda. A inclinação do campo, nos dias que correm, já nem sequer é disfarçada. Um penalti para lá de duvidoso, faltas e mais faltas inexistentes e mergulhos em catadupa foram uma constante ao longo de todo o jogo, e acabaram por "oferecer" de bandeja uns imerecidos três pontos ao SLB. E por falar em três pontos, o lance do golo do SLB deve ir para o Watts da Eurosport desta semana. Não fosse eu um vitoriano possuidor de sistema nervoso central, e ter-me-ia rido à gargalhada com a tragicómica representação de Coentrão.
Vitória 0 - 1 Benfica (Marcadores: Pedro Proença 90').

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Dos Think-Tanks.

O modo como são tomadas as decisões políticas ao mais alto nível na União Europeia conta com pouca influência da produção intelectual e científica dos think-tanks europeus. Esta é muito provavelmente uma das maiores carências que afecta a qualidade das mesmas. Por toda a Europa, aquilo que é proposto ou problematizado por um centro de investigação dedicado à área científica das Relações Internacionais e dos Estudos Europeus é amiúde ignorado ou colocado numa gaveta onde permanece por tempo infinito. Isto, claro, se é que alguma vez chega a ser objecto de atenção por parte das entidades oficiais a quem, em última instância, se deveriam supostamente dirigir.
Vêm estas palavras a propósito de um muito oportuno artigo de James Rogers no Ideas on Europe. Ao contrário dos EUA, país onde os think-tanks gozam de influência junto dos policy-makers, na Europa o seu papel é sistematicamente secundarizado. Quem perde é somente a própria União Europeia, a tal entidade sui generis que acertará tanto mais nas suas políticas estratégicas quanto mais escutar e incorporar nas suas decisões a sabedoria e a experiência dos membros deste tipo de organismos. Ainda assim, existe na União Europeia uma tendência marcadamente positiva a este respeito, o que é louvável e de saudar.
Em Portugal, mais concretamente, o melhor será mesmo nem tecer grandes considerações, uma vez que tal prática é praticamente inexistente. Aqui também, muito caminho para percorrer, e por certo muita mentalidade bafienta para mudar.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Александра (2007).


Um dos mais proeminentes cineastas russos da actualidade, Aleksandr Sokurov, apresentou-se em Cannes em 2007 com uma obra no mínimo peculiar, detentora de uma mensagem desdobrável, por via dos sentidos e das interrogações que lhe possam ser atribuídas.
Alexandra Nicolaevna é avó de um oficial russo destacado para a segunda guerra da Chechénia, a quem decide, por ardente necessidade psicológica, visitar. A realidade que lhe aparece diante dos olhos é tudo menos agradável. É um mundo de homens e de miúdos a quem a vida pouco diz, uma espécie de I Vitteloni à maneira russa, com fardas militares. O dia-a-dia é vazio, os olhares são penetrantes, inquisidores, tristes. Alexandra parece não compreender a vida daqueles a quem a pátria apontou o caminho para uma confrangedora solidão nos confins de uma terra onde não são bem-vindos. A espaços, sente-se este desdém hostil entre locais e russos, uma desconfiança mútua, um medo que não cessa de pairar; para além de uma gritante carência de afectividade - essa trágica recordação antiga.
Alexandra é um filme enigmático e artisticamente ambíguo, passível de múltiplas leituras, mas é certamente tudo menos um chavão para a compreensão da душа (alma) russa. Funciona, pelo contrário, como uma pista para os insondáveis desígnios de um país ainda à procura do que pretende e da sua própria identidade.

sábado, 15 de agosto de 2009

Crime e Castigo.


Está finalmente lido. Tarefa cumprida. Propus-me, já há uns tempos (há demasiado talvez) a ler de fio a pavio Crime e Castigo. É preciso respeitar os clássicos, mesmo que a sonolência se torne numa inevitável constante ameaça à missão a nos propusemos: acabar o livro, dê por onde der.
Crime e Castigo é, obviamente, um clássico incontornável da literatura mundial. A história é grandiosa, repleta de episódios simbólicos e de mensagens morais. O drama de Ródion Romanóvich Raskolnikov é um drama psicológico profundo, e aparece como pano de fundo a todo o livro. Poderá um acto vil ser perdoado em prol de algo maior? A justiça deve ser sempre aplicada, mesmo tendo em conta circunstâncias muito especiais? O drama interior de Raskolnikov é tortuoso e chega, em alguns dos seus sonhos e devaneios, a ser aflitivo para o leitor.
Dostóievski tem aqui uma das suas maiores criações da sua fase matura enquanto escritor, e uma das mais emblemáticas. Crime e Castigo, não tendo um enredo rico, explora o interior de um personagem fascinante, na pessoa de um ex-estudante com problemas financeiros, inteligente, culto, prestável, mas com uma hierarquia de valores pouco convencional. Daí o acto de cometer um duplo assassinato em prol de um bem que considerava maior, e daí também o frenesim psicológico que o atormenta e que culmina numa abnegação total e defintiva no regaço de Sónia, a única mulher que amou e a sua salvação.
Está lido. E saboreado. Livros destes fazem-nos bem.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Transformer (1972).


Transformer, o segundo álbum a solo de Lou Reed, produzido por David Bowie e Mick Ronson, atribui outra profundidade ao glam rock, que à data atingia o seu auge. Já depois dos Velvet Underground e do famoso "álbum da banana" de Warhol, Reed tem aqui das maiores marcas da sua carreira.
A colaboração com Bowie, advinda de uma admiração mútua vinda de trás, catapulta Reed para o estrelato definitivo e dá à luz este Transformer, um álbum perfeitamente limado, e que roça a perfeição de forma quase comovente (todavia deixada em Velvet Undergrond & Nico).
Sim, é aqui que se encontram Vicious, Perfect Day, Walk on the Wide Side e Satellite of Love; todas elas pegadas profundas no terreno movediço no qual a música dos anos 70's se movia. As drogas, a ambiguidade sexual, o álcool, a procura do 'eu', a celebração das pequenas rotinas. Transformer acusa de maneira notória a refinação do som de Reed, talvez até em demasia. Talvez a única que lhe possa ser apontado seja precisamente o facto de não estar ali um Lou Reed a 100%. É, no entanto, um registo extraordinário. Todas as faixas são surpreendentes, dançáveis, despreocupadamente 70's. Destaque, além das suprasumo, para I'm So Free e Make Up, esta última um daqueles exemplos onde mais se nota a marca de Bowie.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Simbolismo Zero.

A bandeira da República hasteada nos Paços do Concelho em Lisboa foi retirada e, "durante uma noite e uma manhã houve Monarquia em Portugal".
O acto não faz qualquer sentido. A República atravessa tempos difíceis, isso é incontestável. A crise económica já transbordou para o domínio social há tempo demasiado. As pessoas não estão contentes, mas culpabilizar o regime político do país por esta situação é no mínimo - e para usar um adjectivo suave - questionável.
Trata-se de um acto em que não se sabem quais as reais motivações que estão por detrás do mesmo. Aparece como algo de infundado, aparentemente vazio, vindo do nada. Até mais detalhes, e sem uma justificação plausível, apenas sobressai a deselegância e (precisamente) a "falta de respeito pelas instituições" referida , inclusivamente , pelo blogue.
É, portanto, exactamente isso: uma evidente falta de respeito pelos símbolos nacionais de uma instituição pública democraticamente eleita. Aplaudiria se o blogue 31 da Armada se constituísse em movimento político, expusesse as suas ideias, e se candidatasse às eleições autárquicas; em vez de, habilmente tapados por máscaras de um personagem que nada tem a ver com a C.M. Lisboa, pela calada da noite, arrancasse bandeiras de edifícios públicos.
É, em suma, um mau exemplo de cidadania e um desprezível desrespeito pelo civismo e pelo Estado de direito.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Tart Me Up.


Há alturas em que o que apetece é nada mais do que um simples alheamento das coisas importantes do dia-a-dia, e em que o cérebro parece entrar numa espécie de 'piloto-automático'. É nestas alturas que assistimos impávidos ao desmoronar da hierarquia das nossas prioridades, dos nossos afazeres e passamos a endeusar algo que, mesmo lá no fundo, sabemos ser tão importante para o mundo como a lesão do terceiro guarda-redes do Terek Grozny. No fim, fica-se contente, com um sorriso aparvalhante nos lábios, contente por ainda se poder fazer destas coisas.
Qual grávida com desejos, tenho andado há uns tempos atrás disto. Nos EUA, andava completamente viciado neste pequeno rectângulo abolachado, neste maravilhoso manjar pré-cozinhado com cobertura e recheio dos mais diversos sabores (tanto tempo por terras do tio Sam, tanta coisa por que passei, e só me lembro destas coisas).
Hoje, chegaram-me de Inglaterra. O meu obrigado. E pronto, estou estupidamente contente.

domingo, 9 de agosto de 2009

[On] Fire!

Que os Kasabian são das bandas mais entusiasmantes do momento, já se sabia (vade retro Kaiser Chiefs). Prova disso reside por inteiro no novo álbum, magistral a todos os níveis. Os Kasabian estão para a música como Ibrahimovic está para o futebol: parece fácil. Só que esse 'fácil' advém da sua genialidade e da sua insubmissão.
Ao terceiro registo, os Kasabian estão mais maduros. Ao terceiro álbum, sabem o que querem e para onde vão. Talvez isso tenha sido (a única) falha de Empire. É como se nos perguntassem: o que é que vocês querem de uma banda? Que desejos têm os nossos sensíveis ouvidos? A resposta está em West Ryder Pauper Lunatic Asylum. Sim, eu por mim quero é Kasabian.
Para a rendição definitiva, aqui fica Fire, uma amostra do poder destes rapazes.


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Da Regulação e da Legitimidade na UE.


Os bons ou os maus resultados das políticas públicas europeias poucas vezes são atribuídos a Bruxelas. É notório que são os governos nacionais quem efectivamente mais lucra ou perde com os sucessos e falhanços das políticas europeias. Daí a necessidade de a União Europeia compensar os Estados por eventuais falhas sistémicas do mercado. A responsabilização da União Europeia pelo sucesso ou falhanço das suas políticas públicas é um aspecto que a aproxima daquilo que tradicionalmente é uma função do Estado. À medida que a União Europeia vai assumindo cada vez mais poderes e responsabilidades, torna-se imprescindível que tal transferência de competências seja acompanhada por um reforço da sua legitimidade democrática. Tal exigência é fundamental para a clareza de processos e para a transparência das funções da União Europeia aos olhos do cidadão, que só assim lhe reconhecerá legitimidade para tomar decisões e para aquiescer ao seu acatamento. A função reguladora da União Europeia, como reflexo mais ou menos óbvio e necessário do progressivo aumento das suas competências, só é justificável perante os cidadãos europeus se lhes for garantido uma maior participação no processo. Todavia, e ainda que a sucedânea de tratados tenha vindo a reforçar o seu papel enquanto tal, a verdade é que tal ainda permanece dúbio e o carácter paradoxal do Tratado de Lisboa não ajuda.
A passagem para o estudo da governação reflecte, deste modo, novas explicações para procurar saber qual o verdadeiro tipo de ordem política que actualmente representa a União Europeia. Mais concretamente, estamos perante uma entidade que assumiu um modelo mais aproximado aos cidadãos através da transferência de competências políticas para os centros locais e regionais de poder; uma entidade que procura garantir renovadas doses de democraticidade de modo a garantir que as decisões que toma e as políticas públicas da sua responsabilidade estão munidas da necessária legitimidade; e uma entidade que se tem concentrado em assumir uma das mais importantes funções clássicas do Estado, a regulação.
A meu ver, são estas as novas dinâmicas transnacionais – empiricamente comprovadas – que se destacam dentre os quadros teóricos disponíveis para a explicação do fenómeno comunitário. O caso português tem sido um bom exemplo delas mesmas: o pioneirismo em criar dinâmicas transnacionais de cooperação entre Portugal e Espanha e a manifesta diminuição da presença estatal em vários sectores da economia, verificada desde a adesão às Comunidades em 1986 são disso prova. Portugal tem sido um bom exemplo da ocorrência de lógicas de poder indirecto ou, conforme classificado por Focault, poder “disciplinar”: um poder exercido indirectamente pelos Estados, uma espécie de re-regulação transnacional, que não esconde todavia a erosão do poder dos governos nacionais.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Momentos Para Sempre.


O cinema é uma arte propiciadora de momentos únicos, daqueles que se recorda quando vamos na rua; quando estamos sentados num banco de jardim; quando damos voltas na cama e esperamos que o sono chegue; quando atravessamos uma longa recta na autoestrada; enfim, sempre que à mente se lhe propicie a evasão, e sempre que à evasão corresponda o intrépido e sempre presente instinto de recordar 'aquela' cena, 'aquela frase' ou 'aquela' sequência. Não importa se são momentos de choque, de terror, de comédia, de suspense, de adrenalina, de espanto, de enternecimento, de repúdio, de revolta ou da mais pura satisfação. Importa sim honrar a memória do cinema e dos momentos que, cinéfila e emocionalmente falando, são inesquecíveis pela arte e pelo génio que encerram.
Vale a pena vasculhar o baú, vale a pena perder tempo a perscrutar onde foi que o cinema atingiu o auge da criatividade e da beleza. Faz bem saborear, mesmo estranhando à primeira, o que de melhor trazem os filmes: seja o "Heeeere's Johnny" de Nicholson, o "I love the smell of napalm in the morning", o (primeiro) "Bond, James Bond", ou o tiroteiro na escadaria de Odessa do fabuloso Couraçado Potemkin. Não importam os momentos. O mais importante mesmo é recordar e, com isso, aprender.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Vitória 09/10.


A propósito da apresentação dos novos equipamentos do Vitória, é sempre curioso saber o que deles pensam os estrangeiros visitantes deste site. As reacções não são más no geral, sendo que a maior parte parece gostar da indumentária vitoriana para a época futebolística que se avizinha.
Curioso também é o facto de alguém se mostrar surpreendido por Matthew McConaughey (ou por outras palavras, Jorge Gonçalves) jogar no Vitória. Engraçado.